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Lojas deixam cliente testar produtos em casa

Especialista afirma que a prática está alinhada com o mercado e alerta obrigações do consumidor


Cresce o número de empresários no Rio de Janeiro (RJ) que oferecem uma experiência de consumo prolongada e exclusiva para seus fregueses antes de concretizar a venda. Essa é uma forma de mostrar os benefícios dos produtos e consolidar uma relação com o comprador. Pedro Cruz, sócio da marca de colchões Flow, explica que a empresa dá até cem dias para o cliente provar o produto com o objetivo de mostrar que a aquisição realmente vale a pena.

 

O empresário resolveu montar o próprio negócio depois de passar por uma experiência frustrada, quando comprou um colchão king size que não coube em seu quarto, pois tinha medidas diferentes do padrão. A política da Flow é bastante simples: se o cliente não gostar da mercadoria, ela é retirada pela própria empresa e, como não pode ser reaproveitada, doada para o Exército da Salvação ou, algumas vezes, destruída. A estratégia de devolução foi inspirada pelos mercados americano e europeu, onde já é comum esse tipo de oferta.

 

Outro exemplo que segue a mesma linha da Flow é a loja de decoração Doural. Recém-inaugurada no BarraShopping, a Doural permite que arquitetos levem às residências dos clientes alguns dos itens vendidos no estabelecimento. A proposta é fazer com que as pessoas visualizem como será o resultado final da ornamentação.

 

Não é só as empresas que comercializam produtos que estão seguindo essa tendência, também há quem ofereça serviços. A empresa de segurança da informação Dinatech Brasil concede aos seus possíveis contratantes um mês de “menu degustação”, que envolve instalação de produtos adequados às necessidades de cada empresa, como proteção contra invasões e contra vazamento de informações. Tanto a instalação quanto o acompanhamento, a consultoria e o suporte técnico são oferecidos durante o mês de teste. No final, a Dinatech apresenta um relatório sobre os benefícios e a segurança gerada a partir da instalação do programa. Segundo o diretor técnico da empresa, Henrique Carvalho, as vendas aumentaram em 40% depois que ele resolveu oferecer a cortesia.

 

As obrigações do consumidor

O professor de marketing da ESPM-Rio e especialista em direito do consumidor, João Ricardo Matta, ressalta que a estratégia adotada pelas empresas que cedem produtos temporariamente aos consumidores é uma prática moderna, bastante alinhada à competitividade do mercado e ao momento de crise pelo qual passa o país. Em outras palavras, é uma maneira encontrada pelas lojas de oferecer um diferencial aos fregueses, diminuindo o risco e indecisão do consumidor no momento da compra.

 

Assim, uma vez que o cliente tenha ficado satisfeito, maiores são as chances de ele promover a marca e produto entre as pessoas de seu convívio. Nas palavras do professor, “mais vale um cliente feliz do que uma única venda”. Matta ressalta, entretanto, que o consumidor deve estar ciente de suas responsabilidades, sendo a principal delas devolver o produto intacto.

 

“Dificilmente as lojas vão lhe dar um contrato. O que ocorre é um acordo verbal, regido pelo bom senso de ambas as partes. Isso faz a empresa fidelizar os clientes, criar lealdade. O consumidor, por sua vez, deve tentar esclarecer quais são seus limites, suas obrigações e seus riscos. Acima de tudo, deve redobrar os cuidados, como se aquele objeto já fosse dele” orienta Matta.




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