A indústria moveleira está decretando derrota antes do fim da batalha?
Ari Bruno Lorandi traz ao Cá Entre Nós dessa semana uma análise sobre o momento vivido pela indústria moveleira, que parece estar aceitando a derrota antes da batalha terminar. “Basta conversar com empresários, lojistas e fabricantes para ouvir a mesma avaliação: o mercado está difícil, as vendas perderam ritmo e o consumidor está mais cauteloso”, reforça o apresentador.
Lorandi concorda com tudo isso, mas lembra que existe uma grande diferença entre reconhecer um problema e concluir que o ano está perdido. Ele traz algumas informações que mostram que não é assim, ou melhor, que os moveleiros têm bons indicadores para se apoiarem.
“O emprego continua em patamares historicamente elevados. A massa salarial segue crescendo.
Os programas de renegociação de dívidas começam a devolver consumidores ao mercado.
E os indicadores de intenção de compra mostram recuperação gradual, especialmente nos bens duráveis, perto de 20%.
Isso significa que as vendas vão explodir amanhã?
Não.
Mas significa que existe uma diferença importante entre demanda destruída e demanda adiada.
E, neste momento, tudo indica que estamos diante da segunda opção.
O consumidor não desistiu de comprar móveis.
Ele está demorando mais para decidir. Está pesquisando mais. Está comparando mais. Está esperando mais.
Mas continua desejando conforto, renovação da casa e qualidade de vida.
O erro é transformar essa espera em sentença definitiva.
Porque a história econômica mostra que os mercados raramente mudam de direção quando todos estão otimistas.
Eles mudam justamente quando predomina o pessimismo.
Por isso, talvez a pergunta mais importante para o setor não seja "por que as vendas estão lentas agora?".
Talvez a pergunta correta seja:
O que acontece se o consumidor voltar a comprar com mais intensidade no segundo semestre?
Sua empresa estará preparada? Terá estoque? Terá capital de giro?
Ou tentará recuperar, em poucos meses, o que deixou de planejar durante o período de incerteza?”.
NOTÍCIA
Trump mira o Brasil. E o impacto pode acabar dentro das fábricas de móveis de novo
Há uma novidade importante no comércio internacional que merece atenção da indústria moveleira brasileira. O governo de Donald Trump acaba de propor uma nova tarifa de 25% sobre grande parte das importações vindas do Brasil, dentro de uma investigação comercial formal (Seção 301), o que dá maior sustentação jurídica à medida.
A alegação é de práticas comerciais desleais em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, etanol e questões ambientais.
E o que isso tem a ver com móveis?
Até o momento, os móveis não aparecem entre as exceções anunciadas pela Casa Branca. Isso significa que, se a medida for confirmada, o mobiliário brasileiro exportado aos Estados Unidos poderá ficar sujeito à nova tarifa.
O impacto imediato seria uma perda de competitividade em um dos mercados mais importantes para as exportações brasileiras. O produto nacional chegaria mais caro ao comprador americano, justamente em um ambiente de forte concorrência internacional.
Mas existe um segundo efeito que talvez seja ainda mais relevante. Se parte dessas exportações perder espaço nos Estados Unidos, esse volume de produção tende a buscar mercado dentro do próprio Brasil. E isso significa mais concorrência, mais pressão sobre preços e margens e uma disputa ainda maior por um consumidor que já está mais cauteloso.
Por enquanto, trata-se apenas de uma proposta que ainda passará por consulta pública e audiência antes de uma decisão final. Mas o sinal é claro: o ambiente internacional está ficando mais protecionista e a indústria brasileira precisa acompanhar esses movimentos com muita atenção.
Assista ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra clicando no player acima.
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