A pergunta não é se uma fábrica de colchões vai pegar fogo. É quando?
Ari Bruno Lorandi diz que esse é um dos assuntos que não gostaria de repetir, porém continua sendo necessário
Os incêndios em fábricas de colchão voltam a ser tema do Cá Entre Nós. Ari Bruno Lorandi diz que esse é um dos assuntos que não gostaria de repetir, porém continua sendo necessário, já que há duas semanas tivemos dois incêndios, um em uma indústria de espumas e colchões de Minas Gerais e outro em uma fábrica de Arapongas, no Paraná. Os dois, felizmente, sem vítimas.
“Voltei aos nossos arquivos. Nos últimos anos, publicamos incêndios em fábricas de colchões ou espumas em diferentes estados brasileiros. Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Ceará, Pernambuco, Piauí, Santa Catarina, Paraíba... A lista é longa demais para continuar sendo tratada como uma sucessão de fatalidades.
E alguns casos são ainda mais preocupantes. Em Maracanaú, no Ceará, uma fábrica sofreu dois grandes incêndios em menos de um ano. Em outro caso, também no Ceará, a mesma unidade foi atingida duas vezes em apenas dez dias.
Todo mundo no setor sabe com o que estamos lidando. Espumas de poliuretano, tecidos, madeira, adesivos e produtos químicos fazem parte da rotina de muitas dessas indústrias. Em Arapongas, a suspeita inicial é de uma simples fagulha produzida por uma laminadora que alcançou a espuma. O barracão foi destruído.
Na Pelmex, em Manaus, o próprio Corpo de Bombeiros informou que o incêndio começou na área de laminação e espumação e se alastrou rapidamente em razão da alta combustibilidade da espuma. Portanto, ninguém pode alegar desconhecimento do risco.
A própria Abicol já produziu um manual de boas práticas para prevenção de incêndios em fábricas de colchões. Fala de brigada treinada, plano de emergência, equipamentos, procedimentos e treinamento periódico. Então por que continuamos assistindo às mesmas imagens?
É claro que nenhum sistema elimina completamente a possibilidade de um incêndio. E seria irresponsável afirmar, sem laudos técnicos, que cada uma dessas ocorrências aconteceu por negligência. Mas a frequência deveria ser suficiente para fazer o setor parar e discutir prevenção com muito mais seriedade.
Tem ainda a questão do seguro. Em uma atividade considerada de maior risco, o custo pode ser elevado. Algumas empresas podem optar por assumir parte ou todo esse risco. É uma decisão empresarial. Só que assumir o risco financeiro não pode significar assumir o risco operacional.
Porque incêndio não destrói apenas máquinas, estoques e prédios. Pode interromper produção, comprometer entregas, atingir fornecedores e clientes e, sobretudo, colocar vidas em perigo.
Depois de cada incêndio vêm as mesmas cenas: bombeiros trabalhando durante horas, estruturas destruídas e a frase que, felizmente, aparece com frequência: “não houve vítimas”. Até o dia em que houver.
Por isso, talvez esteja na hora de fabricantes, associações, fornecedores de espuma, seguradoras e especialistas em segurança se sentarem à mesma mesa. Não para produzir mais um documento. Mas para descobrir por que tantos documentos, normas, treinamentos e alertas ainda não foram suficientes para mudar essa história”.
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NOTÍCIAS
As urnas dos polos moveleiros mandam uma mensagem clara
Flávio Bolsonaro venceu nos principais polos moveleiros do país: Bento Gonçalves, São Bento do Sul, Arapongas, Mirassol, Linhares e Ubá. E há razões para esta fotografia eleitoral. A indústria convive com juros elevados, crédito caro, margens comprimidas, importações crescentes e perda de atividade.
O primeiro pregão pós-urna também é um recado direto, sem curva e impossível de ignorar
A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno fez o mercado financeiro suspirar de alívio e reagir em ritmo de festa. O Ibovespa atropelou a casa dos 200 mil pontos, um recorde histórico, o dólar despencou para a casa dos 5 reais e o varejo, que vinha apanhando, respirou fundo. O Magazine Luiza, por exemplo, disparou 25% em um único dia.
Por que essa reação toda? Porque, na visão dos analistas e dos grandes fundos globais, esse resultado sinaliza o que a economia mais quer: responsabilidade fiscal, teto de gastos respeitado e espaço para as reformas andarem. Até o JPMorgan mudou o tom e deu sinal verde para investir no Brasil.
Produção de móveis perde força e deve fechar o ano em queda
A indústria de móveis voltou a perder força e recuou 3,0% em agosto, interrompendo a tentativa de reação ensaiada ao longo do ano. Com o novo tombo, o setor passa a acumular uma retratação de 2,1% entre janeiro e agosto, segundo dados do IBGE.
O cenário é ainda mais grave no segmento de colchões, que despencou 9,2% no mês e já acumula queda de 4,1% no ano.
O forte desempenho registrado em março provou ser apenas um respiro pontual, e não o início de uma recuperação consistente. Desde então, a produção engrenou uma sequência contínua de estabilidade ou queda nas comparações mensais.
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