China mais que dobra exportações de painéis de partículas aglomeradas

Volume embarcado cresce 117% no primeiro semestre e vendas chinesas avançam em mercados da Ásia e América Latina

China mais que dobra exportações de painéis de partículas aglomeradas

A China ampliou fortemente sua presença no comércio internacional de painéis de partículas no primeiro semestre de 2026. As exportações chegaram a 793 mil toneladas, crescimento de 117% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações seguiram na direção contrária e recuaram 44%, para 176 mil toneladas.

Os dados são da Alfândega Chinesa e foram divulgados pelo Relatório de Mercado de Madeira Tropical da International Tropical Timber Organization (ITTO).

O crescimento em valor, entretanto, foi bem menor que o registrado no volume. As exportações chinesas alcançaram US$ 246 milhões, alta de 40%.

A diferença chama atenção: enquanto a quantidade exportada mais que dobrou, a receita avançou em ritmo consideravelmente inferior. Os dados agregados, porém, não permitem concluir diretamente que houve redução dos preços dos painéis, uma vez que mudanças no mix de produtos e nos mercados de destino podem alterar significativamente os valores médios das exportações.

Coreia do Sul lidera avanço

A expansão chinesa foi particularmente forte na Ásia.

A Coreia do Sul tornou-se o principal destino, comprando 259 mil toneladas no primeiro semestre, impressionantes 460% acima do volume registrado um ano antes.

O Vietnã aparece em seguida, com 88 mil toneladas e crescimento de 176%. O Peru recebeu 54 mil toneladas, aumento de 151%. Colômbia e Malásia também apresentaram fortes expansões, enquanto Taiwan e Chile reduziram suas compras.

A tabela apresentada no levantamento mostra que a Colômbia teve a maior expansão percentual entre os principais mercados relacionados, com alta de 485% e 32 mil toneladas importadas da China. A Malásia avançou 231%, chegando a 30 mil toneladas.

Os números mostram uma China cada vez mais ativa na colocação de painéis de partículas no mercado externo – inclusive em países latino-americanos.

Leia: Mercado interno sustenta indústria de painéis no primeiro semestre

Brasil perde espaço entre fornecedores

No sentido contrário, a China reduziu significativamente suas compras externas.

As importações totalizaram 176 mil toneladas, queda de 44%, enquanto o valor desembolsado diminuiu 29%, para US$ 102 milhões.

A Polônia permaneceu como maior fornecedora, com 33 mil toneladas e crescimento de 19%, seguida pela Itália, que avançou 57%, para 22 mil toneladas.

O desempenho brasileiro foi bastante diferente. As compras chinesas de painéis de partículas provenientes do Brasil caíram 77%, ficando em apenas 18 mil toneladas. As importações originárias da Tailândia também tiveram forte retração, de 68%, para 21 mil toneladas.

Movimento merece atenção da indústria

Para a cadeia brasileira de painéis e móveis, os números merecem acompanhamento.

De um lado, o Brasil perdeu participação nas importações chinesas. De outro, fabricantes chineses ampliam rapidamente suas exportações e avançam sobre mercados internacionais, inclusive na América Latina.

É cedo, entretanto, para atribuir esse movimento a aumento de capacidade produtiva, redução da demanda interna chinesa ou qualquer outra mudança estrutural na indústria. O próprio levantamento limita sua análise à movimentação aduaneira porque os dados comerciais, isoladamente, não comprovam essas hipóteses.

O segundo semestre deverá mostrar se a expansão representa uma mudança mais duradoura no comércio internacional de painéis ou uma movimentação circunstancial.

Para o Brasil, há uma questão adicional a observar: até onde a maior presença chinesa poderá aumentar a concorrência nos mercados externos atendidos pela indústria brasileira de painéis e, indiretamente, pela própria cadeia moveleira.

Essa resposta ainda não está nos números. Mas o crescimento de 117% em apenas seis meses já é suficientemente expressivo para colocar a movimentação chinesa no radar.

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