Como a Copa do Mundo influencia varejo no Brasil
Segundo a CNC, Copa de 2026 deve gerar R$ 4,3 bilhões no varejo e R$ 80,2 milhões para móveis e eletrodomésticos

A Copa do Mundo sempre movimentou o varejo brasileiro, especialmente segmentos ligados ao entretenimento e ao consumo doméstico. Historicamente, televisores lideravam esse movimento. Mas, nos últimos anos, um novo comportamento começou a ganhar força: a transformação da casa — e principalmente da sala — em um verdadeiro espaço de convivência, entretenimento e experiência coletiva. Nesse contexto, móveis, estofados e colchões passaram a sentir cada vez mais as consequências positivas do chamado “efeito Copa”.
Analisando os impactos de grandes competições no varejo brasileiro, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) realizou um levantamento estimando que, em 2026, haverá um movimento de cerca de R$ 4,3 bilhões no comércio varejista. Se confirmado, o volume significará aumento real de 6,5% em relação ao faturamento da edição anterior, de 2022. Móveis e eletrodomésticos seriam responsáveis por aproximadamente R$ 80,2 milhões desse total.
José César da Costa, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), comenta que o evento funciona como um “Natal fora de época”. Um ano atípico, em que o planejamento das empresas precisa ser antecipado e recalibrado. “Trata-se de um verdadeiro fenômeno cultural que altera profundamente a rotina e o comportamento de consumo no país”. O presidente explica que o comércio precisa se preparar para atender a uma demanda em cadeia: desde o abastecimento de supermercados e serviços de delivery até bens duráveis que melhorem a experiência de receber pessoas, tornando o período um pilar absolutamente estratégico para o faturamento anual do setor.
O mesmo fenômeno começa a atingir o segmento de colchões, ainda que de forma menos direta. O fortalecimento do conceito de “wellness” e qualidade do sono vem impulsionando a procura por produtos ligados ao conforto e à recuperação física. Em um momento em que a casa assume papel central na rotina das pessoas, colchões premium, tecidos tecnológicos e soluções voltadas ao bem-estar passam a ganhar espaço dentro da lógica de consumo doméstico.
Efeito internacional
E não é apenas no Brasil que a febre da Copa atinge o comércio local. Uma pesquisa no Reino Unido, feita pelo Furniture Village, identificou aumento de 50% nas buscas online por sofás nos meses anteriores à Copa do Mundo de 2022. O crescimento foi puxado principalmente por modelos voltados à convivência coletiva, como sofás de canto, modulares e formatos em “U”. Segundo a empresa britânica, os consumidores buscavam criar uma espécie de “experiência de estádio em casa”, transformando o living em centro de entretenimento para assistir aos jogos com amigos e familiares. O estudo chegou a utilizar o conceito de “Home Arena”, mostrando como o ambiente doméstico passou a assumir um papel cada vez mais relevante durante grandes eventos esportivos.
Leia: Buscas por sofás modernos avançam no Brasil antes da Copa do Mundo
Além disso, dados CNDL/SPC Brasil apontam que 86% dos consumidores pretendem assistir à maioria dos jogos em casa ou na residência de amigos e familiares. “Essa centralidade do lar cria o que chamamos de ‘efeito nidificação’ (ou desejo de preparar a casa). Assim, o consumidor deseja, cada vez mais, o máximo de conforto para acomodar os seus convidados. Intensificando, assim, as compras no setor de móveis e estofados”, explica o presidente da confederação.

Explosão do E-commerce
Falando sobre vendas online, o presidente explica que a tendência é que o interesse por essa categoria continue muito aquecido em 2026. Segundo ele, embora o varejo físico lidere no consumo imediato, as compras online e via aplicativos já estão consolidadas (67% farão compras digitais). “No setor de móveis, por exemplo, o e-commerce facilita a pesquisa, comparação de preços e condições de entrega, acelerando a decisão”, finaliza.
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