Conclusão na Formóbile: A indústria está resolvendo o problema errado

Depois de passar quatro dias em São Paulo, Lorandi traz ao Cá Entre Nós uma reflexão sobre o que se tornou a feira

Depois de passar quatro dias em São Paulo visitando a Formóbile, Ari Bruno Lorandi traz ao Cá Entre Nós dessa semana uma reflexão sobre o que se tornou a feira, fazendo comparações com o início da Fimma (importante feira de máquinas, equipamentos e insumos, pioneira no setor), no ano de 1993. “Naquela época, poucas empresas brasileiras tinham acesso ao que existia de mais moderno na Alemanha, na Itália e em outros grandes centros mundiais de fabricação de móveis. A Fimma cumpriu um papel extraordinário. Ela democratizou o acesso à inovação. Ajudou a modernizar processos, aumentou a produtividade e contribuiu para transformar a indústria moveleira brasileira”, pontua.

Lorandi afirma que, 33 anos depois, andando pelos corredores da Formóbile, teve uma sensação curiosa, a de que a missão das empresas mudou. “Hoje, tecnologia não é mais privilégio de poucos. Ela está em toda parte. Máquinas cada vez mais inteligentes, softwares, inteligência artificial, automação, ferragens sofisticadas, superfícies inovadoras, matérias-primas de alta performance. Nunca tivemos tantas ferramentas para fabricar móveis melhores.

Mas foi justamente aí que comecei a me fazer uma pergunta.

Será que estamos tentando resolver o problema certo?

Durante anos, a indústria acreditou que seu grande desafio era produzir mais, mais rápido e com menor custo. E conseguiu. Evoluiu como nunca.

Só que o consumidor também mudou ao longo do tempo.

Hoje, ele entra na loja, olha, pesquisa, compara... e muitas vezes adia a compra. Não porque não precisam móveis. Mas porque, muitas vezes, falta desejo.

Enquanto a indústria continua discutindo produtividade, a marcenaria vem conquistando espaço justamente porque vende algo diferente.

Ela não vende apenas um armário.

Ela vende um projeto.

Não vende uma cozinha.

Vende uma cozinha pensada para aquela família.

Não vende um móvel.

Vende uma solução.

Talvez seja exatamente por isso que o segmento de planejados continue crescendo e atraindo tantos investimentos em tecnologia.

E aqui está o ponto que mais me chamou a atenção na Formóbile.

A tecnologia apresentada na feira não deveria servir apenas para acelerar a produção.

Ela deveria servir para agregar valor.

Para melhorar acabamento.

Para reduzir erros.

Para permitir personalização em escala.

Para desenvolver produtos mais inteligentes.

Para criar móveis que despertem vontade de comprar.

Porque produzir mais do mesmo apenas aumenta a oferta.

Produzir algo que o consumidor realmente deseja muda o mercado.

Saí da Formóbile impressionado com o nível tecnológico alcançado pela cadeia de fornecedores. Mas também saí convencido de que a próxima revolução da indústria não será determinada pela máquina mais rápida.

Será determinada pela empresa que entender que tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de produção”.

Confira o comentário completo no player acima.

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NOTÍCIA

Índices de produção mostram que indústria de móveis não é para amadores

Os números do IBGE mostram um setor que continua em recuperação, mas perdeu velocidade. Janeiro começou muito ruim, março trouxe um alívio importante, porém abril e maio esfriaram novamente a produção.

O acumulado de -2% ainda está longe do ideal, mas também está muito distante do cenário de quase -7% visto no início do ano.

A boa notícia é que a indústria continua produzindo e não entrou em uma trajetória de queda contínua. A má notícia é que ainda falta consistência.

O segundo semestre será decisivo. Se crédito, emprego e consumo responderem, a indústria tem condições de transformar essa recuperação parcial em crescimento. Caso contrário, 2026 poderá terminar como mais um ano de estabilização, e não de expansão, histórico que se repete ao longo do tempo, mostrando que para ser industrial de móveis precisa de muita resiliência para navegar – literalmente – entre o ar e o rochedo.

O 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi está disponível no player acima, clique para assistir.

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