Crise leva duas redes de móveis dos EUA a fechar todas as lojas

Value City Furniture e American Signature faturaram US$ 1,1 bilhão, mas queda nas vendas e custos levaram à liquidação

Crise leva duas redes de móveis dos EUA a fechar todas as lojas

A crise que atinge parte do varejo de móveis nos Estados Unidos fez mais uma vítima de peso. A American Signature Inc., controladora das redes Value City Furniture e American Signature Furniture, caminha para encerrar suas operações físicas após quase oito décadas de atuação no mercado.

As 89 unidades que ainda permaneciam na estrutura da companhia entraram em processo de liquidação. São 79 lojas da Value City Furniture e dez da American Signature Furniture.

A decisão representa o desfecho do processo iniciado em novembro de 2025, quando a American Signature pediu proteção judicial sob o Chapter 11 da legislação americana, mecanismo utilizado para permitir a reorganização de empresas em dificuldades financeiras.

Inicialmente, a companhia pretendia fechar 33 lojas de baixo desempenho e buscar uma reestruturação. A deterioração financeira, entretanto, levou a uma solução mais radical.

A Justiça americana posteriormente aprovou o plano de liquidação, e imóveis, contratos de locação e outros ativos passaram a ser negociados.

De US$ 1,1 bilhão para US$ 803 milhões

Os números ajudam a dimensionar a velocidade da deterioração.

As vendas anuais da American Signature caíram de aproximadamente US$ 1,1 bilhão em 2023 para US$ 803 milhões em 2025. Somente entre 2024 e 2025, a redução das vendas líquidas chegou perto de US$ 150 milhões.

A companhia acumulou ainda cerca de US$ 70 milhões em perdas no período anterior ao pedido de recuperação e chegou ao processo com aproximadamente US$ 2 milhões disponíveis em caixa.

Nos documentos apresentados à Justiça, a empresa apontou uma combinação particularmente desfavorável para o varejo de móveis: inflação, aumento dos custos operacionais, tarifas de importação e, principalmente, enfraquecimento do mercado imobiliário americano.

A relação entre venda de imóveis e consumo de móveis é especialmente importante. Menos famílias mudando de residência significa menos ocasiões que tradicionalmente desencadeiam a compra de sofás, mesas, dormitórios e outros produtos para a casa.

Recuperação terminou em liquidação

O caso também mostra como uma tentativa de recuperação pode rapidamente se transformar em encerramento.

Após o pedido de Chapter 11, a American Signature buscou uma saída por meio da venda de ativos. Em fevereiro, o Tribunal de Falências do Distrito de Delaware aprovou o plano de liquidação apresentado no processo.

As vendas de encerramento das lojas ficaram a cargo de uma joint venture formada pela SB360 Capital Partners, Hilco Global e Gordon Brothers.

Além das lojas, imóveis e centros de distribuição ligados à operação também foram colocados no mercado.

O desaparecimento das duas bandeiras físicas chama atenção principalmente pela longevidade da operação. A história do negócio de móveis ligado ao grupo remonta ao final dos anos 1940, e a Value City Furniture tornou-se uma rede conhecida em diferentes estados americanos.

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Um sinal de alerta para o varejo de móveis

O fechamento não pode ser explicado por um único fator. A combinação entre menor demanda, custos elevados, endividamento e mudanças no ambiente econômico pressionou uma operação que precisava sustentar uma grande estrutura física.

Mas o caso American Signature deixa uma mensagem que ultrapassa o mercado americano.

No varejo de móveis, tamanho e tradição não representam proteção automática contra mudanças no comportamento do consumidor ou contra uma deterioração prolongada das condições de mercado.

Uma empresa pode atravessar gerações, construir uma marca reconhecida e operar dezenas de lojas. Ainda assim, precisa preservar caixa, produtividade e capacidade de adaptação.

O encerramento da Value City Furniture e da American Signature Furniture mostra que, no varejo, 80 anos de história ajudam a construir reputação, mas não garantem os próximos 80.

 

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