Empresas com alta rotatividade têm o dobro de inadimplência, diz estudo
Pesquisa da Serasa Experian relaciona troca frequente de funcionários a maior risco financeiro

Empresas que contratam e demitem funcionários com maior frequência apresentam índices de inadimplência até duas vezes superiores aos daquelas que mantêm equipes mais estáveis. A conclusão é de um estudo da Serasa Experian que relacionou a movimentação dos trabalhadores à situação financeira das empresas brasileiras.
Entre os negócios com menor rotatividade de pessoal, 19% estão inadimplentes. Nas empresas com maior troca de funcionários, esse percentual chega a 38%.
A diferença chama a atenção porque sugere que a estabilidade das equipes pode ser mais um indicador da situação de uma empresa, ao lado de informações tradicionais como histórico de pagamentos e capacidade de crédito.
Tempo de permanência também faz diferença
O levantamento identificou outra relação importante: quanto menor o tempo médio de permanência dos funcionários, maior tende a ser o percentual de empresas inadimplentes.
Nos negócios em que os trabalhadores permanecem, em média, de três a seis meses, a inadimplência alcança 44%. Já entre aqueles em que os profissionais ficam por mais de dez anos, o índice cai para 16%.
O estudo também analisou a possibilidade de encerramento das atividades empresariais. Entre as companhias com menor rotatividade, 26% foram classificadas na faixa de maior risco de fechamento nos 12 meses seguintes. Nas de maior rotatividade, essa participação sobe para 41%.
Leia: Nem toda decisão que movimenta uma empresa faz a empresa avançar
O que isso significa para a gestão?
Os resultados não permitem afirmar que demitir ou substituir funcionários provoque inadimplência. A relação também pode refletir dificuldades operacionais, problemas financeiros ou outros fatores que afetam simultaneamente a estabilidade das equipes e a saúde da empresa.
Segundo Viviane Moura, diretora de Serviços de Crédito da Serasa Experian, a movimentação dos trabalhadores pode ajudar a identificar desafios de gestão, dificuldades de retenção e perda de conhecimento interno.
Para a indústria moveleira, em que a experiência dos profissionais tem importância nos processos produtivos, na qualidade e na produtividade, a pesquisa acrescenta um elemento à discussão sobre gestão de pessoas.
A troca frequente de trabalhadores não representa apenas a necessidade de novas contratações. Também pode exigir treinamento, adaptação e reorganização das equipes.
A Serasa Experian ressalta, porém, que os indicadores trabalhistas devem complementar, e não substituir, as informações tradicionalmente utilizadas para avaliar o risco financeiro das empresas.
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