Eucatex transforma resíduos de móveis em energia para suas fábricas
Empresa reciclou 95 mil toneladas de madeira e amplia investimentos em circularidade, tecnologia e adaptação climática

A sustentabilidade começa a deixar de ser apenas uma agenda ambiental para entrar diretamente nas decisões econômicas e industriais da Eucatex. Em 2025, a companhia reciclou mais de 95 mil toneladas de madeira, avançou no desenvolvimento de florestas mais resistentes às mudanças climáticas e passou a utilizar inteligência artificial para melhorar a previsão de demanda.
Os resultados fazem parte do Relato Integrado 2025 da companhia, que adotou pela primeira vez o conceito de dupla materialidade. Na prática, além de avaliar os impactos provocados pela própria operação, a empresa passa a considerar também como questões ambientais e sociais podem afetar financeiramente seus negócios.
A mudança ocorre em um ano de desempenho recorde. A Eucatex encerrou 2025 com receita líquida de R$ 3,1 bilhões, segundo os dados divulgados pela companhia. Para o CEO Flavio Maluf, o resultado econômico e o amadurecimento da estratégia socioambiental passaram a fazer parte de uma mesma discussão.
Móveis velhos voltam para a cadeia como energia
Para a indústria moveleira, um dos números mais interessantes está justamente na destinação da madeira descartada.
Por meio da divisão Eucatex Bioenergia, mais de 95 mil toneladas de móveis usados, paletes e resíduos de madeira da construção civil foram recolhidas e recicladas em 2025.
Em vez de seguirem para aterros, esses materiais passaram a ser utilizados na geração do vapor necessário às plantas industriais. O processo reduz tanto o descarte quanto a necessidade de utilização de matérias-primas virgens e contribui para a eficiência energética das unidades.
O movimento chama atenção especialmente em um momento no qual a cadeia moveleira começa a discutir com maior intensidade o destino dos móveis no fim de sua vida útil. O reaproveitamento energético não resolve sozinho o desafio da circularidade, mas mostra que o resíduo de madeira pode voltar à cadeia produtiva como recurso industrial.
Mudança do clima chega à floresta
Outra frente está relacionada diretamente à matéria-prima.
A companhia criou um Grupo de Trabalho sobre Mudanças Climáticas e acelerou o programa Silvicultura 4.0. Uma das prioridades da pesquisa é desenvolver novos clones de eucalipto capazes de combinar maior produtividade com resistência à escassez de água e a novas pragas.
A iniciativa mostra como a discussão climática começa a sair do campo conceitual e atingir uma questão bastante concreta para a indústria: a disponibilidade futura de madeira.
Períodos prolongados de seca, mudanças no regime de chuvas e novas ocorrências de pragas podem alterar produtividade, custos e previsibilidade do abastecimento florestal. Investir em genética e manejo, portanto, passa também a ser uma estratégia de proteção da própria operação industrial.
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IA chega à previsão de demanda
A tecnologia aparece em outra parte do processo.
Com investimento de R$ 1,7 milhão em transformação digital, a Eucatex consolidou um data lake reunindo informações de áreas estratégicas. A estrutura permitiu utilizar inteligência artificial para previsão de demanda, alcançando, segundo a empresa, 92% de assertividade.
Também houve avanços na gestão da água. Um projeto-piloto utilizando microrganismos em uma das unidades reduziu em 20% a carga orgânica dos efluentes industriais em quatro meses.
Produção e conservação dividem espaço
O relatório traz ainda números relacionados às áreas florestais da companhia. A Eucatex mantém mais de 10 mil hectares de vegetação nativa e informa já ter restaurado 1,8 mil hectares de áreas degradadas.
O monitoramento realizado nessas áreas identificou 33 espécies da fauna ameaçadas de extinção, entre elas onça-parda, lobo-guará e tamanduá-bandeira.
Os dados ajudam a ampliar uma discussão importante para toda a cadeia da madeira: florestas produtivas e áreas de conservação não precisam ser vistas como estruturas incompatíveis, mas como partes distintas de uma mesma gestão territorial.
A Eucatex completa 75 anos em 2026, emprega quase 3,5 mil pessoas e mantém seis unidades industriais em São Paulo e Pernambuco. Seus produtos chegam a mais de 40 países e atendem, entre outros mercados, a indústria moveleira, construção civil e revenda madeireira.
Mais do que os indicadores ambientais isoladamente, porém, o Relato Integrado sinaliza uma mudança que tende a alcançar cada vez mais empresas fornecedoras da indústria de móveis: sustentabilidade, produtividade e resultado financeiro começam a ocupar a mesma planilha.
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