Frete pesa mais que preço e muda decisão de compra no comércio online

Pesquisa mostra que 44% dos compradores priorizam entrega, enquanto frete caro leva 59% a desistir da compra

Frete pesa mais que preço e muda decisão de compra no comércio online

O preço mais baixo já não é o principal argumento para conquistar o consumidor no comércio eletrônico brasileiro. O custo da entrega assumiu a liderança entre os fatores que mais influenciam a decisão de compra, revelando uma mudança importante para o varejo e, particularmente, para segmentos como o de móveis, nos quais a logística tem peso significativo na operação.

A constatação faz parte do estudo E-Consumidor 2027, realizado pelo Opinion Box em parceria com a Nuvemshop. Segundo a pesquisa, 44% dos consumidores apontam o frete grátis ou com valor reduzido como um dos principais atrativos para comprar pela internet, enquanto 40% mencionam os preços mais baixos.

A diferença pode parecer pequena, mas revela uma inversão de prioridades. Na edição anterior, o preço ocupava a primeira posição, enquanto as condições de frete apareciam logo atrás.

O levantamento ouviu 1.025 consumidores brasileiros que realizaram pelo menos uma compra online nos 12 meses anteriores à pesquisa, com margem de erro de três pontos percentuais.

O custo da entrega pode impedir a venda

A importância do frete fica ainda mais evidente quando o consumidor chega à etapa final da compra. Para 59% dos entrevistados, o valor elevado da entrega é motivo para abandonar o carrinho, percentual superior aos 57% registrados na edição anterior.

O prazo de entrega muito longo aparece em segundo lugar, mencionado por 34% dos consumidores, praticamente estável em relação aos 35% da pesquisa anterior.

Os resultados mostram que conquistar o interesse pelo produto não significa garantir a venda. Mesmo depois de escolher o item, o consumidor pode desistir quando descobre quanto precisará pagar para recebê-lo ou quanto tempo terá de esperar.

No varejo de móveis, essa questão ganha relevância particular. Dimensões, peso, distância e necessidade de cuidados no transporte tornam a entrega mais complexa do que em muitas outras categorias comercializadas pela internet.

Embora a pesquisa não apresente um recorte específico sobre o transporte de móveis nesse capítulo, seus resultados reforçam a importância de considerar a logística como parte da estratégia comercial, e não apenas como uma etapa operacional posterior à venda.

Frete grátis supera descontos

Outra informação relevante é a preferência dos consumidores pelas campanhas promocionais. O frete grátis foi citado por 67% dos entrevistados, mais que o dobro dos 32% que preferem descontos em porcentagem.

Os programas de pontos de fidelidade aparecem com 26%, seguidos pelo cashback, com 24%.

Isso não significa, necessariamente, que todas as lojas devam oferecer entrega gratuita. A decisão exige avaliar o custo do transporte, a margem dos produtos e a possibilidade de estabelecer condições comerciais que tornem a operação sustentável.

Para o varejista de móveis, o desafio é encontrar alternativas capazes de tornar o frete mais atraente sem comprometer a rentabilidade. A negociação com transportadoras, a eficiência na distribuição e a definição de políticas de entrega passam a ter influência direta sobre a competitividade.

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Quando há atraso, o cliente procura a loja

A pesquisa também identifica uma mudança no comportamento do consumidor diante de problemas na entrega.

Entre os entrevistados, 40% preferem resolver atrasos diretamente com a loja virtual, um avanço de nove pontos percentuais em relação à edição anterior.

O dado reforça a responsabilidade do varejista sobre a experiência de compra, mesmo quando o transporte é realizado por terceiros. Para o consumidor, a relação comercial não termina no pagamento: ela se completa quando o produto chega nas condições e no prazo prometidos.

O levantamento também mostra que 38% dos consumidores se sentem mais valorizados ao comprar diretamente de uma marca, enquanto 33% afirmam sentir maior segurança ao informar os dados do cartão no site próprio da loja.

Nesse cenário, manter canais de atendimento capazes de acompanhar pedidos e solucionar atrasos pode ser tão importante quanto oferecer boas condições comerciais.

A logística entra na disputa pelo consumidor

Os resultados do E-Consumidor 2027 indicam que a competitividade do comércio eletrônico não depende exclusivamente do preço anunciado. O valor final da compra, as condições de entrega e a capacidade de solucionar problemas também influenciam a decisão do cliente.

Para o varejo moveleiro, há uma questão estratégica: de pouco adianta oferecer um móvel com preço competitivo se o custo para entregá-lo compromete a atratividade da oferta.

A logística, portanto, deixa de ser apenas uma despesa necessária para assumir um papel cada vez mais relevante na conquista e na fidelização dos consumidores.

 

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