IA avança na indústria do sono, e impacta do design ao ponto de venda

Tecnologia já impacta criação, produção, varejo e atendimento ao cliente

IA avança na indústria do sono, e impacta do design ao ponto de venda

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma ferramenta concreta na indústria do sono. De acordo com reportagem da BedTimes, a IA já está sendo aplicada em diferentes etapas da cadeia, do desenvolvimento de colchões à comunicação com lojistas e consumidores. O movimento chama atenção não apenas pela velocidade, mas pela amplitude: criação, marketing, produção, atendimento, treinamento de vendedores e experiência de compra passam a ser impactados simultaneamente.

Na Kingsdown, por exemplo, a tecnologia começou a ganhar espaço na área criativa, mas rapidamente avançou para outras frentes. Segundo Gary Towning, diretor de marketing da empresa, a IA triplicou a capacidade de produção da equipe, permitindo desenvolver materiais de ponto de venda, vídeos, campanhas digitais e conteúdos de treinamento com mais agilidade. Desde 2024, a marca utiliza IA também em publicidade impressa, digital e até em prototipagem de design de colchões.

O caso mostra uma mudança importante para fabricantes de médio porte. Atividades que antes exigiam grandes estruturas externas, longos prazos e investimentos elevados podem passar a ser realizadas internamente, com maior controle de marca e mais velocidade de resposta ao mercado. Mas a própria experiência da Kingsdown reforça um ponto essencial: a tecnologia não substitui o profissional qualificado. Ela depende de pessoas capazes de orientar, interpretar e transformar ferramentas digitais em vantagem competitiva.

Leia: Sonhos e pesadelos da Inteligência Artifical na vida das pessoas

Na área de tecidos e materiais, a BekaertDeslee também vê a IA como parte do processo de inovação (foto de abertura desta matéria). Charlene Vaz, diretora de design e marketing da empresa, afirma que a tecnologia ajuda a combinar dados, inovação em materiais e análise de comportamento do consumidor, permitindo desenvolver produtos com mais precisão e velocidade. Ao mesmo tempo, a executiva ressalta que o desafio não está em escolher entre IA e criatividade humana, mas em fazer com que ambas trabalhem juntas para elevar a experiência do consumidor.

A reportagem também mostra que a inteligência artificial começa a ganhar espaço dentro da fábrica. Um dos exemplos é o NestiGo, sistema desenvolvido pela ArtFlex para otimizar processos de corte, especialmente no processamento de espuma. A solução combina algoritmos de organização tridimensional, visão computacional e execução guiada, com o objetivo de reduzir desperdícios, melhorar o aproveitamento de material e facilitar a operação de máquinas.

No varejo, o impacto pode ser ainda mais direto. A compra de colchões continua fortemente ligada à experiência presencial, mas o consumidor inicia cada vez mais sua jornada de pesquisa no ambiente digital. Por isso, marcas e lojistas buscam soluções capazes de oferecer respostas rápidas, recomendações personalizadas e continuidade entre o atendimento online e a loja física.

A Kingsdown, por exemplo, desenvolveu ferramentas para apoiar vendedores no ponto de venda, oferecendo acesso imediato a informações de produto, argumentos comerciais e orientações baseadas em conhecimento acumulado pela própria empresa. A marca também trabalha para ampliar essas soluções a versões específicas para varejistas, adaptadas ao portfólio de cada parceiro.

Outro exemplo citado é a AiPRL Assist, plataforma voltada a varejistas independentes e regionais de móveis e colchões. A solução busca reduzir falhas de atendimento, como leads que esfriam fora do horário comercial, perda de histórico entre canais e respostas genéricas. A ferramenta consolida interações por texto, e-mail, chat, voz, redes sociais e loja física, usa informações de estoque em tempo real e encaminha o atendimento para um vendedor humano quando identifica frustração do cliente.

Para o setor moveleiro e colchoeiro, a mensagem é clara: a IA não deve ser vista apenas como ferramenta de automação, mas como recurso estratégico para melhorar decisão, reduzir perdas, acelerar desenvolvimento, qualificar atendimento e aumentar o valor percebido pelo consumidor. A tecnologia já entrou na cadeia do sono. A diferença, daqui para frente, estará entre as empresas que apenas observam o movimento e aquelas que aprendem a usá-lo para vender melhor, produzir melhor e se relacionar melhor com o mercado.

 

Comentários0

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.

    Carregando categorias...

    IA avança na indústria do sono, e impacta do design ao ponto de venda | Móveis de Valor