Indústria alemã recua e importados já dominam 60% do mercado
Vendas caem 2,7% no 1º semestre, enquanto demanda enfraquece e fabricantes enfrentam pressão dos produtos estrangeiros

A indústria moveleira alemã encerrou o primeiro semestre de 2026 com faturamento de aproximadamente € 7,7 bilhões, queda de 2,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho revela um mercado doméstico ainda mais pressionado, enquanto as exportações ajudaram a limitar a retração do setor.
Segundo a Associação Alemã da Indústria Moveleira (VDM), com base em dados oficiais de 374 fabricantes com pelo menos 50 funcionários, as vendas no mercado interno diminuíram 4,1%, para cerca de € 5 bilhões.
As exportações ficaram praticamente estáveis, em aproximadamente € 2,7 bilhões. Com isso, sua participação no faturamento da indústria aumentou um ponto percentual e chegou a 35,2%.
Estofados têm queda de 10%
O comportamento, entretanto, varia bastante entre as diferentes categorias.
A indústria de móveis de cozinha conseguiu crescer 1% no semestre, alcançando aproximadamente € 2,9 bilhões.
Na direção contrária, móveis e acessórios para salas de estar, jantar e quartos recuaram 5%, para € 2,3 bilhões.
O resultado mais negativo ocorreu nos estofados, com queda de 10%, enquanto colchões recuaram 5,1% e móveis para escritórios e lojas apresentaram retração de 3,5%.
Segundo a VDM, o desempenho é resultado de uma combinação de fatores que inclui baixa confiança dos consumidores, aumento dos custos de materiais, energia e mão de obra, maior carga regulatória e fraqueza da construção residencial.
Importados já representam 60% das vendas
Outro dado ajuda a dimensionar a transformação do mercado alemão.
Embora as importações de móveis tenham recuado 4,3% no primeiro semestre, os produtos estrangeiros já representam aproximadamente 60% dos móveis comercializados no país. Em 2019, essa participação era de 44%.
China e Polônia respondem, juntas, por 60% das importações alemãs de móveis.
A evolução indica que a indústria local enfrenta não apenas um consumidor mais cauteloso, mas também uma presença significativamente maior de fornecedores estrangeiros em seu próprio mercado.
A VDM chama atenção ainda para outra mudança estrutural: a concentração do varejo de móveis. Fabricantes de médio porte passam a negociar com um número menor de grupos varejistas, porém cada vez maiores, aumentando a pressão competitiva sobre a indústria.
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Exportações aos EUA caem quase 15%
No mercado internacional, os resultados também foram bastante diferentes conforme o destino.
As exportações alemãs cresceram 2,6% para a França e 2,1% para a Suíça. Para os Países Baixos, permaneceram praticamente estáveis, com avanço de apenas 0,1%.
Já os embarques para os Estados Unidos recuaram quase 15%, queda atribuída pela VDM às tarifas americanas. As vendas para a China diminuíram 2,1%, enquanto Reino Unido, Áustria e Itália também compraram menos móveis alemães no período.
Setor espera fechar 2026 em queda
As perspectivas para o restante do ano permanecem cautelosas. A VDM projeta que o faturamento da indústria moveleira alemã termine 2026 com queda próxima de 3%.
Uma pesquisa realizada pela entidade mostra ainda que 40% das empresas pretendem adotar trabalho temporário no terceiro trimestre.
Apesar do cenário adverso, a associação identifica oportunidades em desenvolvimento de produtos e processos, novos canais de venda, mercado de projetos e maior internacionalização.
Os números alemães revelam, portanto, mais do que uma retração conjuntural. Demanda enfraquecida, crescimento da participação dos importados e concentração do varejo formam uma combinação que aumenta a pressão sobre os fabricantes locais – situação que merece atenção em um dos mercados moveleiros mais importantes da Europa.
Veja números abaixo:

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