Indústria moveleira enfrenta novos requisitos para competir no mundo
Rastreabilidade, tecnologia e novos hábitos de consumo deixam de ser tendência e começam a redefinir os negócios

A competitividade da indústria moveleira começa a depender de fatores que vão muito além de produzir bem e controlar custos. Rastreabilidade da matéria-prima, sustentabilidade, novas tecnologias, embalagens e mudanças no comportamento do consumidor estão ampliando a lista de requisitos para quem pretende disputar mercados.
Essas transformações estiveram no centro da segunda edição do SIM Móbile, encontro promovido pelo Sindicato do Mobiliário da Grande Florianópolis, ligado à Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). O evento reuniu empresários, industriais e fornecedores para discutir tecnologia, gestão e mercado.
Mais do que tendências isoladas, parte dessas mudanças começa a alterar as condições para competir.
Diferencial vira pré-requisito
Durante o encontro, a coordenadora do Instituto SENAI de Tecnologia em Madeira e Mobiliário, Sandra Fürst, apontou sustentabilidade, novos comportamentos e tecnologia como três vetores importantes dessa transformação.
Entre os exemplos estão a crescente exigência por rastreabilidade da madeira, o desenvolvimento de matérias-primas alternativas e a busca por soluções mais eficientes de embalagem para o comércio eletrônico internacional. Segundo a especialista, aspectos associados à agenda ESG estão deixando de funcionar apenas como diferenciais e passam a integrar os requisitos exigidos pelo mercado.
A mudança tem implicações importantes para a indústria. O fornecedor deixa de ser avaliado somente pelo móvel que entrega e passa a responder também pela origem dos materiais, pelos processos empregados e pela capacidade de fornecer informações sobre aquilo que produz.
Consumidor também mudou
Do outro lado da cadeia, a tecnologia está alterando a forma como o consumidor pesquisa e compara produtos.
Sandra chamou atenção para o avanço da inteligência artificial e da realidade aumentada no processo de compra. São ferramentas que ampliam o acesso à informação e permitem comparar não apenas preços, mas experiência, reputação e posicionamento das marcas.
É uma mudança particularmente relevante para móveis, segmento no qual a jornada de compra tradicionalmente envolve pesquisa, comparação, visita à loja e uma decisão de maior valor.
Quanto mais informação estiver disponível antes mesmo de o consumidor chegar ao ponto de venda, maior tende a ser a necessidade de fabricantes e varejistas construírem valor além do preço.
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Gestão entra na mesma equação
O SIM Móbile também colocou aspectos mais tradicionais da administração empresarial ao lado dessas novas demandas.
A programação abordou gestão financeira, inteligência comercial e cultura de liderança, além de apresentar um case empresarial e promover uma exposição de negócios.
A combinação é significativa. Transformação tecnológica e sustentabilidade podem dominar as discussões sobre o futuro, mas precisam conviver com questões bastante concretas do presente – caixa, vendas, produtividade e gestão.
Para o presidente do Sindicato do Mobiliário da Grande Florianópolis, Bruno Pauli, encontros como o SIM Móbile também procuram aproximar as empresas das soluções disponíveis no ecossistema industrial da FIESC, incluindo SENAI, SESI e IEL.
Santa Catarina possui uma indústria moveleira relevante, e o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou durante o encontro a importância econômica do segmento e a necessidade de atuação coletiva para ampliar sua competitividade.
O debate realizado em Florianópolis deixa, porém, uma questão que ultrapassa os limites do estado.
A indústria sempre precisou entregar um bom móvel. Agora começa a precisar entregar, junto com ele, informação, rastreabilidade, eficiência, experiência e confiança. E competir nesse novo mercado exigirá aprender a produzir também tudo aquilo que não aparece na fotografia do produto.
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