Marabraz entra em recuperação judicial com dívida de R$ 140 milhões
Justiça suspende execuções por 180 dias; grupo terá 60 dias para apresentar plano aos credores

A Justiça de São Paulo autorizou o processamento da recuperação judicial do Grupo Marabraz, rede varejista de móveis e eletrodomésticos com dívidas estimadas em R$ 140 milhões. Assinada em 27 de outubro pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital, a decisão concede proteção por 180 dias contra execuções e medidas de constrição relacionadas aos créditos sujeitos ao processo.
O grupo deverá apresentar seu plano de recuperação em até 60 dias, contados da publicação da decisão. Nesse documento, serão detalhadas as propostas para reorganizar as dívidas e as condições de pagamento oferecidas aos credores. A Justiça também estabeleceu prazo de 15 dias para a entrega de documentos pendentes e nomeou a Deloitte como administradora judicial.
O deferimento abre uma nova etapa na tentativa de reestruturação da varejista, cujo pedido foi protocolado em agosto. A autorização para o processamento, entretanto, ainda não representa a aprovação do plano nem define como os credores serão pagos.
Juros altos e conflitos societários
Ao justificar o pedido, a Marabraz apontou uma combinação de juros elevados, restrições de crédito e disputas societárias e familiares. Segundo a companhia, esses fatores comprometeram suas condições de financiamento e dificultaram a continuidade das operações.
De acordo com os argumentos apresentados no processo, o conflito societário afetou o acesso a imóveis utilizados como garantias em operações bancárias. A exigência de novas garantias pelos credores teria limitado e encarecido o capital de giro, prejudicando a capacidade de abastecer e manter os estoques da rede.
Em manifestação à CNN, a empresa confirmou o deferimento e informou que cumprirá as determinações judiciais. A varejista apresentou a recuperação como um instrumento para preservar as atividades e os empregos, reorganizar os compromissos financeiros e buscar uma solução para o pagamento dos credores.
Leia: Casas Bahia entra em recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões
Empresas terão patrimônios separados
O processo reúne seis sociedades ligadas ao grupo. Embora tenha permitido que a recuperação tramite conjuntamente, a juíza rejeitou, por enquanto, a unificação dos patrimônios e das dívidas das empresas. Assim, os ativos e as obrigações de cada uma permanecem separados, aspecto relevante para a análise dos créditos de fornecedores e demais credores.
Durante o andamento da recuperação, as empresas deverão prestar contas mensalmente e fornecer informações financeiras à administradora judicial. A continuidade do procedimento dependerá do cumprimento das exigências da Justiça e das próximas etapas de apresentação e análise do plano.
Para os fornecedores do setor moveleiro, a apresentação da proposta de pagamento será um dos principais pontos de atenção. Será nessa etapa que o grupo detalhará as condições pretendidas para renegociar os compromissos abrangidos pela recuperação.
Carregando categorias...

Comentários0
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.