Mercado interno sustenta indústria de painéis no primeiro semestre
Vendas domésticas crescem 6%, enquanto exportações recuam 19,5% em volume e 26,9% em receita

No primeiro semestre de 2026, as vendas domésticas de painéis de madeira chegaram a 4,233 milhões de m³, crescimento de 6% sobre os 3,993 milhões de m³ registrados no mesmo período de 2025. Como as importações permaneceram praticamente irrelevantes, em apenas mil m³, o consumo aparente acompanhou o movimento e também avançou 6%, para 4,234 milhões de m³.
Para a indústria moveleira, é um indicador positivo. Painéis são uma das principais matérias-primas da produção de móveis seriados e modulados e, portanto, o aumento das vendas domésticas sugere maior absorção de material pela cadeia brasileira no primeiro semestre.
O problema aparece quando se olha para o outro lado da operação. As exportações físicas de painéis recuaram de 642 mil para 517 mil m³, queda de 19,5%. Em valor, a retração foi ainda maior: as receitas externas passaram de US$ 228,9 milhões para US$ 167,4 milhões, redução de 26,9%.
Há aqui um dado especialmente importante. O valor exportado caiu mais do que o volume. Fazendo a relação entre receita e quantidade embarcada, o valor médio implícito passa de aproximadamente US$ 357 por m³ em 2025 para US$ 324 por m³ em 2026, recuo próximo de 9%. Ou seja: o setor exportou menos painéis e, em média, recebeu menos por metro cúbico exportado.
Estados Unidos explicam boa parte da queda
A América do Norte, que havia comprado US$ 99,3 milhões em painéis brasileiros no primeiro semestre de 2025, caiu para apenas US$ 45,3 milhões neste ano. É uma retração de impressionantes 54,4%. Em valores absolutos, são US$ 54 milhões a menos.
Só essa perda representa cerca de 88% da redução total de US$ 61,5 milhões registrada pelas exportações brasileiras de painéis no período. Portanto, embora os dados sejam apresentados por região e não permitam atribuir toda a queda especificamente aos Estados Unidos, fica bastante claro que o enfraquecimento do mercado norte-americano é o principal fator por trás do resultado externo.
A China praticamente desapareceu como destino: as vendas caíram de US$ 20,3 milhões para apenas US$ 3 milhões, recuo de 85,2%. Ásia/Oceania também caiu 48%.
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América Latina e Europa amenizam o impacto
Há, porém, movimentos compensatórios. As exportações para a América Latina cresceram 6,5%, passando de US$ 88,6 milhões para US$ 94,4 milhões. Com isso, a região tornou-se o principal mercado externo dos painéis brasileiros no primeiro semestre, superando com bastante folga a América do Norte.
A Europa também apresentou uma mudança expressiva: as vendas mais que dobraram, de US$ 7,6 milhões para US$ 15,8 milhões, crescimento de 107,9%. A África avançou 19,4%, embora sobre uma base pequena.
Isso mostra uma reorganização geográfica das exportações. O problema é que o crescimento desses destinos ainda está muito longe de compensar aquilo que foi perdido na América do Norte e na China.
O mercado interno virou o amortecedor
Somando vendas domésticas e exportações, a comercialização de painéis passou de aproximadamente 4,635 milhões de m³ para 4,750 milhões de m³ no primeiro semestre – aumento de cerca de 2,5%, apesar do tombo das exportações.
Isso aconteceu porque o mercado brasileiro absorveu 240 mil m³ adicionais, enquanto as exportações perderam 125 mil m³. Em outras palavras, o mercado interno mais do que compensou, em volume, a retração externa.
É uma boa notícia, mas também produz uma questão importante para os próximos meses.
Se as exportações continuarem fracas e a produção brasileira de painéis precisar direcionar volumes maiores para dentro do país, haverá mais oferta procurando espaço entre fabricantes brasileiros de móveis. Isso pode aumentar a competição entre fornecedores e alterar a dinâmica comercial da matéria-prima.
Não significa necessariamente queda de preços – os dados da Ibá não permitem chegar a essa conclusão –, mas significa que o equilíbrio entre mercado interno e exportação mudou bastante em 2026.
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