Novas tarifas dos EUA podem elevar carga sobre móveis a mais de 50%
Nova sobretaxa de 25% se soma às tarifas já existentes e torna impacto mais severo, em especial estofados e painéis

A nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ganhou uma dimensão ainda maior para a indústria moveleira. Embora a alíquota adicional seja de 25%, o efeito prático varia conforme a classificação tarifária de cada produto e, em alguns casos, a carga total de importação pode ultrapassar 50%.
A principal diferença está no chamado empilhamento de tarifas. A sobretaxa não substitui, necessariamente, os tributos que já incidiam sobre determinados produtos. Em diversas categorias, ela é aplicada sobre uma estrutura tarifária já existente, elevando significativamente o custo para acessar o mercado norte-americano.
Os móveis estofados de madeira aparecem entre os mais afetados. A estimativa é de que a carga total possa variar entre 50% e 55%, tornando esse segmento um dos que enfrentam maior perda de competitividade nas exportações para os Estados Unidos.
Já os móveis de madeira em geral, que anteriormente eram isentos, passam a sofrer basicamente a incidência da nova sobretaxa, resultando em uma carga estimada de 25%.
Os compensados e painéis de madeira também enfrentam impacto expressivo. Considerando a soma das tarifas já existentes com a nova medida, a tributação total pode alcançar 38% a 43%, pressionando um dos principais insumos da cadeia moveleira.
Em contrapartida, o couro, importante matéria-prima utilizada na fabricação de estofados, permanece isento da nova medida, evitando um aumento adicional no custo desse insumo.
O impacto vai além da tarifa de 25%
A diferença entre as categorias mostra que não existe uma única tarifa para todos os produtos. Cada código tarifário possui uma estrutura própria, o que explica por que alguns móveis sofrerão impacto moderado, enquanto outros enfrentarão praticamente uma duplicação da carga tributária.
Para empresas exportadoras de estofados, o desafio será especialmente complexo. Uma carga superior a 50% altera completamente a formação de preços, reduz margens e dificulta a competição com fornecedores de outros países.
Leia: Abimci mobiliza setor madeireiro após ameaça tarifária dos EUA
Hora de rever estratégias
O novo cenário reforça a necessidade de acelerar ganhos de produtividade, renegociar contratos, ampliar mercados e investir em produtos de maior valor agregado. América Latina, Europa, Oriente Médio e outros destinos passam a ganhar ainda mais importância para reduzir a dependência do mercado americano.
Mais do que uma tarifa de 25%, o setor passa a conviver com uma nova realidade tributária, cujo impacto varia conforme o produto, mas que poderá redefinir a estratégia internacional de diversas empresas brasileiras.

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