Pesquisa revela o gaúcho mais racional, que desafia o varejo de móveis
Preço segue decisivo para os gaúchos, mas conveniência, confiança e experiência ganham peso nas decisões de compra

A forma como os consumidores escolhem onde comprar está mudando. Essa é uma das principais conclusões da pesquisa "Os Gaúchos e o Consumo 2026", desenvolvida pelo Jornal do Comércio em parceria com a Escola de Negócios da PUC-RS. O estudo busca mapear os hábitos de compra da população gaúcha e identificar tendências que deverão influenciar o varejo nos próximos anos.
Embora o levantamento tenha abrangência geral e não seja específico para móveis, suas conclusões dialogam diretamente com um setor que depende cada vez mais da capacidade de entender o comportamento do consumidor.
Para a indústria e o varejo moveleiro, a pesquisa reforça uma percepção que já vinha sendo observada desde o período pós-pandemia: o consumidor continua sensível ao preço, mas deixou de decidir apenas pelo menor valor.
Compra cada vez mais planejada
O levantamento mostra um consumidor mais criterioso, que pesquisa, compara alternativas e procura equilibrar preço, qualidade, atendimento e confiança na empresa antes de concluir uma compra.
No mercado de móveis, esse comportamento tende a ser ainda mais evidente.
Ao contrário de produtos de consumo imediato, móveis representam uma compra de maior valor e menor frequência. Isso faz com que o processo de decisão seja naturalmente mais longo, aumentando a importância de informações claras, credibilidade da marca e experiência de compra.
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O preço continua importante...
A pesquisa confirma que o fator econômico permanece entre os principais critérios considerados pelo consumidor.
No entanto, interpretar esse dado como uma corrida pelo menor preço seria um erro.
Nos últimos anos, fabricantes e varejistas perceberam que consumidores estão dispostos a pagar mais quando conseguem enxergar diferenciais concretos, como durabilidade, design, garantia, atendimento pós-venda e facilidade de entrega.
Em outras palavras, valor percebido passou a competir diretamente com preço.
Experiência ganha protagonismo
Outro aspecto destacado pelo estudo é a crescente valorização da experiência de compra, tanto no ambiente físico quanto no digital.
Essa tendência acompanha um movimento observado em diversos segmentos do varejo brasileiro.
Lojas deixaram de ser apenas pontos de venda para se transformar em espaços de demonstração, relacionamento e construção de confiança. No caso dos móveis, isso significa investir em ambientes inspiradores, atendimento consultivo, projetos personalizados e integração entre canais físicos e digitais.
Omnicanalidade deixa de ser diferencial
O consumidor atual transita naturalmente entre internet e loja física.
Pesquisa preços online, consulta avaliações, conversa por aplicativos e, muitas vezes, conclui a compra presencialmente. Em outros casos, faz exatamente o caminho inverso.
Para o varejo moveleiro, isso reforça que a integração entre canais já não representa uma inovação, mas uma exigência básica de competitividade.
Oportunidade para quem entender o consumidor
Mais do que apresentar números, a pesquisa deixa uma mensagem importante para o varejo: compreender o comportamento do consumidor tornou-se um ativo estratégico.
Em um ambiente marcado por juros elevados, maior seletividade nas compras e concorrência crescente, empresas que conseguem interpretar mudanças de comportamento tendem a responder mais rapidamente às novas demandas do mercado.
Para fabricantes de móveis, isso significa desenvolver produtos alinhados às necessidades reais das famílias. Para lojistas, representa investir menos em promoções indiscriminadas e mais em experiência, relacionamento e inteligência comercial.
No fim das contas, a pesquisa confirma uma tendência que já começa a redesenhar o varejo brasileiro: o consumidor continua comprando, mas compra cada vez melhor informado, mais consciente e muito mais exigente. É justamente essa mudança que deve orientar as estratégias das empresas que pretendem crescer nos próximos anos.
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