Placas do Brasil aposta em energia solar para reduzir custos de produção
Fabricante de MDF terá participação em sete usinas da Engie e projeta economia anual de R$ 10 milhões

A busca por maior competitividade na indústria de painéis de madeira está levando a Placas do Brasil a investir em uma estratégia que vai além de suas instalações industriais. A fabricante de MDF, com unidade em Pinheiros, no Espírito Santo, firmou um acordo com a Engie para participar de sete usinas solares no Rio Grande do Norte, em uma operação que poderá reduzir suas despesas com energia elétrica em aproximadamente R$ 10 milhões por ano.
A economia projetada representa cerca de 16,7% do orçamento anual de eletricidade da empresa, estimado em R$ 60 milhões. Para uma indústria que fornece matéria-prima à fabricação de móveis, a dimensão do investimento evidencia a importância da gestão energética na composição dos custos de produção.
Conforme informações publicadas pelo portal Click Petróleo e Gás, a operação prevê que a Placas do Brasil tenha participação de 40% em uma holding que reunirá sete usinas do complexo solar Assú Sol, desenvolvido pela Engie.
Energia como fator de competitividade
A fabricação de MDF depende de processos industriais que exigem consumo significativo de energia. Por isso, oscilações nas tarifas de eletricidade podem afetar os custos operacionais e a previsibilidade financeira das empresas.
Ao participar de empreendimentos de geração, a Placas do Brasil busca reduzir essa exposição por meio do modelo de autoprodução de energia.
Na prática, a empresa passa a integrar a estrutura societária de ativos de geração e utiliza a energia correspondente para atender parte de suas necessidades industriais, conforme as regras do setor elétrico.
A iniciativa não significa que a fábrica será abastecida diretamente por uma linha exclusiva vinda do Rio Grande do Norte. A eletricidade produzida pelas usinas é entregue ao sistema elétrico, enquanto o consumo industrial é contabilizado por mecanismos contratuais e regulatórios.
Além da possibilidade de economia, o modelo pode proporcionar maior previsibilidade das despesas, um benefício relevante para o planejamento de investimentos e da produção.
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Sete usinas e 340,5 MW de capacidade
O acordo envolve as usinas Assú Sol 4, 6, 10, 11, 13, 14 e 15, que somam 340,5 megawatts (MW) de capacidade instalada.
Essas unidades integram o complexo Assú Sol, localizado no município de Assú, no Rio Grande do Norte. O empreendimento completo reúne 16 parques solares e aproximadamente 753 MW de capacidade.
Segundo a US Capital, consultoria responsável pela estruturação da operação, o conjunto das sete usinas deverá produzir aproximadamente 101 MW médios no cenário conservador de geração utilizado no planejamento.
O valor pago pela Placas do Brasil por sua participação societária não foi divulgado.

Sustentabilidade também precisa fazer sentido econômico
A iniciativa reforça uma tendência importante para a indústria de base florestal: a incorporação de fontes renováveis às estratégias de gestão de custos e de eficiência operacional.
A Placas do Brasil já utiliza resíduos de madeira e biomassa na geração de energia térmica em seu processo produtivo. Com o acordo solar, amplia sua atuação na área energética, agora com foco na eletricidade consumida pela fábrica.
Para a cadeia moveleira, a operação mostra que os investimentos em sustentabilidade podem estar associados a objetivos econômicos concretos, especialmente em atividades industriais de elevado consumo energético.
Isso não significa, necessariamente, que a economia obtida será transferida aos preços dos painéis vendidos aos fabricantes de móveis. Mas uma estrutura de custos mais previsível pode fortalecer a capacidade de planejamento e a competitividade do fornecedor.
A redução anual estimada em R$ 10 milhões ainda dependerá da implementação do acordo e das condições econômicas consideradas na negociação.
O movimento da Placas do Brasil ilustra uma mudança de perspectiva: para determinados segmentos industriais, administrar o custo da energia já não significa apenas negociar tarifas. Pode significar participar da própria geração.
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