Produção de móveis recua e julho aumenta pressão sobre o setor
Indústria cai 6,6% em julho e soma queda de 2,3% no ano; móveis de metal crescem, mas madeira e colchões mantêm retração

A produção brasileira de móveis voltou a perder força em julho. Segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE, a fabricação de móveis caiu 6,6% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. Com o resultado, o setor passou a acumular retração de 2,3% entre janeiro e julho.
O desempenho de julho chama atenção principalmente porque interrompe uma sequência de resultados melhores observada desde março. Depois de crescer 10,4% naquele mês, a produção recuou 1,1% em abril e 3,9% em maio, ficou estável em junho e voltou a cair com maior intensidade em julho.
Os números indicam que a indústria ainda encontra dificuldades para estabelecer uma trajetória consistente de recuperação.
Madeira recua 6,5% em julho
Entre as categorias acompanhadas pelo levantamento, os móveis com predominância de madeira, que têm peso importante na estrutura produtiva do setor, registraram queda de 6,5% em julho frente ao mesmo mês de 2025. Com isso, a categoria acumula retração de 3,3% nos sete primeiros meses do ano. Em 12 meses, a queda é de 3,1%.
O comportamento ao longo de 2026 tem sido irregular. Depois de quedas de 7,6% em janeiro e 8% em fevereiro, a produção de móveis de madeira cresceu 8,2% em março. A recuperação, porém, não se sustentou: houve retrações de 4,4% em abril e 4,5% em maio, pequeno avanço de 0,3% em junho e nova queda em julho.
Metal continua sendo a exceção
A fabricação de móveis com predominância de metal apresenta um quadro diferente. Embora tenha recuado 4,3% em julho, é a única das categorias analisadas que ainda mantém resultado positivo no acumulado de 2026. De janeiro a julho, a produção cresceu 3,3% sobre igual período do ano anterior.
O avanço, entretanto, vem perdendo intensidade. Até abril, a categoria acumulava crescimento de 8%; em maio, a alta havia diminuído para 5,2% e, em junho, para 4,8%. O resultado de julho reduziu novamente essa vantagem.
Na comparação de 12 meses, móveis de metal já aparecem no campo negativo, com queda de 3,2%. Isso mostra que o resultado positivo de 2026 decorre principalmente do desempenho mais forte registrado em alguns meses deste ano, especialmente março, quando a produção avançou 23,2%, e abril, com alta de 17%.

Colchões têm a maior queda de julho
A situação também se deteriorou na indústria de colchões. A produção caiu 8,8% em julho, o pior desempenho entre as categorias analisadas no mês.
No acumulado de janeiro a julho, a fabricação de colchões apresenta retração de 3,3%, exatamente o mesmo percentual registrado pelos móveis de madeira.
O setor chegou a apresentar alta de 8% em março, mas desde então não conseguiu sustentar uma recuperação. Abril teve queda de 2,6%, maio ficou estável, junho recuou 3,4% e julho aprofundou a retração.
Em 12 meses, a produção de colchões acumula queda de 3,4%, também a maior entre os segmentos acompanhados.
Leia: Indústria moveleira debate competitividade, gestão e futuro na FIESC
Os 12 meses revelam uma fraqueza mais ampla
Quando a análise é ampliada para os últimos 12 meses encerrados em julho, a fabricação de móveis como um todo apresenta retração de 3,2%.
O dado é importante porque elimina parte das oscilações mensais e mostra que a dificuldade da indústria não está concentrada apenas nos últimos resultados.
Além disso, todas as categorias estão negativas nesse recorte: móveis de madeira caem 3,1%, móveis de metal 3,2% e colchões 3,4%.
Há ainda um sinal que merece atenção. Em junho, a queda acumulada em 12 meses da indústria moveleira era de 2,8%. Em julho passou para 3,2%. Ou seja, em vez de diminuir, a retração voltou a ganhar intensidade.
Julho deixa sinal de alerta
Os três recortes, portanto, mostram situações diferentes, mas convergem para um cenário de cautela.
No mês, a produção de móveis caiu 6,6%. No acumulado de janeiro a julho, a retração é menor, de 2,3%, beneficiada principalmente pelo desempenho positivo dos móveis de metal. E, em 12 meses, o setor registra queda de 3,2%.
O comportamento dos próximos meses será importante para mostrar se julho representou apenas uma piora pontual ou se antecipou uma segunda metade do ano mais difícil para a indústria.
Por enquanto, porém, os dados não permitem falar em recuperação consolidada. A produção moveleira chega ao segundo semestre ainda abaixo de 2025 – e julho aumentou a distância.
(Fonte: IBGE – Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF)
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