Produção de móveis volta a perder força e registra queda de 2,1% no ano
Agosto interrompe reação do setor, enquanto colchões recuam 9,2% no mês e ampliam queda acumulada

A produção brasileira de móveis voltou a perder força em agosto e reforçou o quadro de instabilidade que acompanha a indústria ao longo de 2026. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, o volume produzido pelo setor caiu 3,0% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025.
Com o resultado, a fabricação de móveis acumula queda de 2,1% entre janeiro e agosto, frente ao mesmo período do ano passado. Em julho, a retração acumulada estava em 2,0%.
A diferença parece pequena, mas interrompe uma recuperação que vinha sendo construída desde o início do ano.
De queda forte à recuperação – e novamente para baixo
O comportamento mensal ajuda a entender melhor o resultado. O ano começou mal. Em janeiro, a produção de móveis caiu 7,4% sobre janeiro de 2025. Fevereiro trouxe nova retração, de 6,6%.
Março mudou bruscamente o cenário, com crescimento de 10,4%, melhor resultado mensal do período. A reação, porém, não ganhou continuidade: abril voltou ao campo negativo, com queda de 1,1%, e maio recuou outros 3,9%.
Junho apresentou estabilidade (0,0%) e julho voltou a mostrar retração, de 4,7%. Em agosto, a queda de 3,0% confirmou que a recuperação observada em março não se transformou numa trajetória consistente.
A oscilação fica ainda mais clara quando acompanhamos o acumulado. A produção começou janeiro com queda de 7,4% e chegou a fevereiro acumulando retração de 7,0%. O forte março reduziu essa perda para apenas 1,3%.
Depois disso, entretanto, o indicador praticamente estacionou no terreno negativo: -1,2% em abril, -1,8% em maio, -1,5% em junho, -2,0% em julho e -2,1% em agosto.
Ou seja, a indústria conseguiu recuperar boa parte do tombo do começo do ano, mas ainda não encontrou força suficiente para voltar ao crescimento.
Madeira acompanha a retração
Na fabricação de móveis com predominância de madeira, que representa uma parcela importante da indústria nacional, agosto registrou queda de 1,9% na comparação anual.
No acumulado dos oito primeiros meses, a retração chegou a 2,7%. Também nesse segmento houve forte oscilação. Depois de quedas de 7,6% em janeiro e 8,0% em fevereiro, março avançou 8,2%. Abril (-4,5%) e maio (-4,5%) voltaram ao negativo, junho teve ligeiro crescimento de 0,2%, julho caiu 3,7% e agosto recuou 1,9%.
O desempenho mostra uma indústria que alterna pequenos períodos de reação com novas perdas, sem estabelecer uma sequência capaz de mudar o resultado acumulado.
Móveis de metal ainda destoam
O comportamento dos móveis com predominância de metal continua bastante diferente.
A produção cresceu 23,2% em março e 17,0% em abril, depois de já ter avançado 4,5% em fevereiro. O ritmo perdeu força nos meses seguintes, com queda de 5,2% em maio, alta de 2,8% em junho, retração de 4,4% em julho e nova queda de 0,8% em agosto.
Mesmo assim, o segmento ainda acumula crescimento de 2,7% no ano, sendo a única das categorias analisadas a permanecer no terreno positivo entre janeiro e agosto.
A vantagem, contudo, vem diminuindo: em abril, o crescimento acumulado dos móveis de metal chegou a 8,0%.
Colchões têm o pior agosto
A situação mais preocupante aparece na fabricação de colchões. Depois de iniciar o ano com queda de 4,1% e recuar expressivos 10,6% em fevereiro, o segmento reagiu em março, com crescimento de 8,0%. A recuperação, novamente, não se sustentou.
Abril caiu 2,6%, maio ficou estável e junho recuou 3,4%. Em julho, a produção já havia diminuído 8,8%.
Agosto aprofundou o movimento: queda de 9,2% frente ao mesmo mês de 2025, o pior desempenho entre as categorias pesquisadas naquele mês.
Com isso, a fabricação de colchões passou a acumular retração de 4,1% no ano, também o pior resultado entre os segmentos considerados.
O indicador de 12 meses reforça essa fragilidade: em agosto, a produção de colchões apresentava queda de 3,6%, enquanto o setor de móveis como um todo recuava 2,8%.
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Março ficou para trás
Os números até agosto revelam uma trajetória que merece mais atenção do que o resultado isolado de um único mês.
O salto de março chegou a sugerir uma virada depois do começo muito fraco de 2026. Cinco meses depois, porém, fica claro que aquele crescimento funcionou mais como uma recuperação pontual do que como início de um novo ciclo.
Desde então, o setor de móveis não registrou mais nenhum crescimento mensal na comparação com o mesmo mês de 2025: caiu em abril e maio, ficou estável em junho e voltou a recuar em julho e agosto. É justamente essa sequência que pesa sobre o acumulado.
A indústria conseguiu recuperar boa parte da perda registrada no começo do ano, mas não conseguiu transformar recuperação em crescimento. Agosto deixa esse desafio ainda mais evidente: para sair do negativo em 2026, o setor agora precisa de algo que até aqui não conseguiu entregar – uma sequência consistente de meses positivos.

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