Produtos semiacabados de madeira impulsionam exportações do Peru
Levantamento da ITTO mostra alta das exportações em abril, impulsionada pelos produtos semiacabados

As exportações peruanas de produtos de madeira apresentaram desempenho positivo em abril de 2026, confirmando a recuperação do setor florestal do país. Segundo dados divulgados pela Organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO), com base em informações da CIEN-ADEX, o Peru exportou US$ 23,4 milhões FOB em produtos de madeira no período, um crescimento de 11% em relação aos US$ 21,1 milhões registrados em abril de 2025.
O dado mais relevante do levantamento, no entanto, não é apenas o aumento do faturamento, mas a mudança na composição das exportações. Os produtos semiacabados responderam pela maior parcela das vendas externas, somando US$ 9,7 milhões, à frente da madeira serrada, que alcançou US$ 8,1 milhões. Também aparecem na pauta exportadora carvão vegetal e lenha (US$ 1,7 milhão), móveis e partes de móveis (US$ 1,4 milhão) e produtos destinados à construção civil (US$ 1,1 milhão).
Produtos semiacabados lideram a expansão
O destaque absoluto foi o desempenho dos produtos semiacabados. De acordo com a ITTO, esse segmento cresceu 137% em comparação com abril do ano anterior, demonstrando uma estratégia voltada ao aumento do valor agregado da madeira exportada, em vez da simples comercialização de matéria-prima.
Esse movimento acompanha uma tendência observada em diversos países produtores de madeira, que buscam ampliar a industrialização antes da exportação para capturar maior valor econômico e reduzir a dependência da venda de produtos de baixo processamento.
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Europa concentra a demanda
No mercado internacional, a França consolidou-se como o principal comprador de produtos de madeira do Peru em abril, com importações de US$ 4,9 milhões. Em seguida aparecem República Dominicana (US$ 3,2 milhões), Estados Unidos (US$ 3,1 milhões), China (US$ 2,8 milhões) e Vietnã (US$ 2 milhões).
Quando analisado apenas o segmento de produtos semiacabados, a liderança francesa torna-se ainda mais evidente. O país respondeu por 46% das exportações dessa categoria, seguido por Dinamarca (15%), Bélgica (8,6%), Estados Unidos (8%) e China (4%).
Um movimento observado em vários países
Embora o Peru represente uma escala muito menor que grandes exportadores mundiais de madeira, como Brasil, Canadá e países escandinavos, os resultados mostram uma estratégia que vem ganhando espaço na indústria florestal internacional: ampliar a participação de produtos processados e de maior valor agregado nas exportações.
Essa mudança fortalece a competitividade da cadeia produtiva, reduz a dependência das commodities florestais e aumenta a geração de valor dentro do próprio país.
Para a indústria brasileira de madeira, painéis e móveis, o desempenho peruano também serve como indicador de que os mercados internacionais continuam demandando produtos com maior grau de industrialização, qualidade e diferenciação, reforçando uma tendência que deve permanecer nos próximos anos.
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