O que este móvel que vamos lançar acrescentará na vida das pessoas?

Questionamento feito por Ari Bruno Lorandi no Cá Entre Nós foi movido pelo programa anterior e a paixão pelo móvel

Esse questionamento é feito por Ari Bruno Lorandi na edição de hoje do Cá Entre Nós. Ele lembra que na semana passada fez uma provocação questionando o motivo pelo qual as pessoas não se apaixonam mais pelos móveis como acontecia antigamente, além de falar sobre uma indústria que se tornou extremamente eficiente, tecnológica e produtiva, mas que, muitas vezes, passou a comunicar especificações, materiais e funcionalidades, esquecendo de falar sobre aquilo que realmente importa para quem está do outro lado. Essa reflexão acabou resultando na segunda pergunta, que é que intitula o episódio de hoje.
“Se ninguém compra um móvel apenas porque ele tem uma boa ferragem, uma chapa melhor ou um acabamento diferenciado, então o que as pessoas realmente estão levando para dentro de casa?
Pensando nisso, eu cheguei à reflexão que quero compartilhar hoje.
"O que este móvel estará acrescentando à vida dessas pessoas?"
A indústria moveleira, muitas vezes, pergunta o que vai fabricar. O varejo pergunta o que consegue vender. O designer pergunta o que pode criar.
Mas talvez todos devessem começar pela mesma pergunta: O que as pessoas querem dentro de suas casas?
Porque ninguém acorda de manhã querendo comprar um guarda-roupa.
Ninguém sonha com uma chapa de MDF.
Ninguém passa anos trabalhando para conquistar uma ferragem melhor.
As pessoas querem acolhimento. Conforto. Beleza.
Querem receber amigos.
Querem ver os filhos crescerem em um ambiente agradável.
Querem sentar-se à mesa no fim do dia e sentir que aquele lugar representa quem elas são.
Os móveis são apenas o meio.
O verdadeiro produto é a sensação que eles ajudam a construir.
Talvez por isso a pergunta "Quem vai se apaixonar por este móvel?" seja tão poderosa.
Mas existe uma pergunta que vem antes dela.
Por que alguém vai querer isso dentro da própria casa?
Porque a casa é um lugar especial.
É o espaço mais íntimo que uma pessoa possui.
É onde ela descansa, celebra, cria filhos, vive suas alegrias e enfrenta suas dificuldades.
Tudo o que entra em uma casa precisa merecer estar ali.
E talvez seja exatamente esse o desafio da indústria.
Não fabricar apenas peças bonitas.
Não produzir apenas móveis funcionais.
Mas criar produtos que façam sentido na vida das pessoas.
Quando um empresário aprova um novo lançamento, talvez devesse imaginar uma cena. Não a linha de produção. Não a vitrine. Não o showroom.
Mas uma família convivendo ao redor daquele móvel daqui a cinco ou dez anos.
E então perguntar: O que este móvel acrescentará à vida dessas pessoas?”


O comentário completo de Lorandi você confere no player acima.


NOTÍCIAS
Preço de móveis segue abaixo da inflação geral, mas mostra recuperação
O IPCA acumulado de 2026 até maio mostra que os segmentos de mobiliário e colchões continuam registrando comportamento distinto da inflação geral do País. Enquanto o índice geral acumula alta de 3,20% no ano, o grupo mobiliário avançou 1,15%, mantendo uma trajetória mais moderada de reajustes ao consumidor.
O principal destaque é o segmento de colchões, que reverteu as quedas observadas nos primeiros meses do ano e passou a acumular alta de 6,15% até maio, acima da inflação média brasileira. Já os móveis para sala seguem em deflação, com queda acumulada de 1,36%, enquanto móveis para quarto e cozinha registram altas de 2,67% e 1,56%, respectivamente.
Os números indicam que a pressão de custos começa a aparecer de forma mais intensa em alguns segmentos específicos da cadeia, especialmente nos colchões, mas ainda sem se refletir de maneira uniforme em todo o setor de móveis. O cenário reforça a forte competitividade do mercado e a dificuldade das indústrias em repassar integralmente os aumentos de custos ao consumidor.

leia: Por que as pessoas não se apaixonam pelos seus móveis como antes?

Em 2007, o foco era equipar a casa. Em 2025, é viver melhor dentro dela
Durante anos, analisamos a indústria de móveis olhando para produção, faturamento, exportações e empregos. Mas uma pesquisa do IBGE nos levou a uma conclusão muito mais interessante: a maior transformação ocorrida entre 2007 e 2025 não aconteceu dentro das fábricas. Aconteceu dentro das casas dos brasileiros.
Ao comparar os dados da produção industrial ao longo desses 18 anos, percebemos que o consumidor mudou suas prioridades. O colchão ganhou espaço, os móveis planejados avançaram, os estofados se fortaleceram e a casa passou a ser vista de uma forma diferente.
Em 2007, o foco era equipar a casa. Em 2025, o foco passou a ser viver melhor dentro dela.
O brasileiro passou a valorizar mais conforto, bem-estar, qualidade do sono, ambientes planejados e experiências de convivência. E a indústria acompanhou essa transformação.
Talvez seja por isso que os colchões cresceram mais rapidamente do que muitos segmentos do mobiliário. Talvez seja por isso que os planejados ganharam tanto espaço. E talvez seja por isso que hoje falamos muito mais sobre qualidade de vida do que falávamos há duas décadas.
Afinal, a indústria não vende apenas móveis. Ela vende conforto, organização, acolhimento e bem-estar. Essa deve ser a mensagem.


Você assiste ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra clicando no player acima.
 

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