Retrofit abre oportunidades para a indústria de móveis no Nordeste
Requalificação de imóveis amplia demanda por planejados residenciais, hotéis e empreendimentos de uso misto

A recuperação de imóveis antigos começa a abrir uma nova frente de negócios para a indústria de móveis no Nordeste. O avanço de projetos de retrofit, especialmente em áreas centrais, cria demanda por mobiliário planejado, soluções multifuncionais e produtos capazes de se adaptar a plantas que nem sempre seguem medidas padronizadas.
O movimento já pode ser observado no Recife. A transformação de imóveis da região central envolve apartamentos compactos, hotéis, empreendimentos de uso misto e projetos residenciais, todos com necessidade de adequar o mobiliário às novas funções dos edifícios.
Um dos projetos de maior dimensão é a PPP Morar no Centro, da Prefeitura do Recife. O programa prevê 1.128 unidades habitacionais em seis empreendimentos e investimentos superiores a R$ 500 milhões durante os 25 anos de concessão. As intervenções abrangem construção, retrofit, requalificação, gestão e operação de imóveis nos bairros de Santo Antônio, São José, Boa Vista e Cabanga.
A movimentação ocorre paralelamente à atividade do mercado imobiliário da Região Metropolitana do Recife. Em julho, foram comercializadas 1.032 unidades novas, movimentando R$ 472,69 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV), segundo levantamento da BCB Inteligência em parceria com a FIEPE. As vendas cresceram 7,2% em relação a junho.
Apartamentos menores exigem mais do móvel
Para a indústria moveleira, uma das oportunidades está justamente nas dimensões dos novos imóveis.
Levantamento da BCB Inteligência identificou 4.850 unidades distribuídas por 30 empreendimentos ou torres em bairros da região central. Entre as ofertas aparecem apartamentos compactos de apenas 25 a 37 m² em Boa Vista e unidades de até 42 m² em Soledade.
Quanto menor a planta, maior tende a ser a necessidade de aproveitar cada metro quadrado. Armários, bancadas, cozinhas e móveis multifuncionais passam a fazer parte da própria solução arquitetônica.
No retrofit existe ainda outra particularidade: as medidas podem variar mesmo entre ambientes que originalmente deveriam ser iguais.
Para Adeilton Pereira, sócio-diretor do Grupo OFFICINA e vice-presidente da Abimóvel, isso exige projetos inteligentes e capacidade de adaptação por parte da indústria. Segundo ele, diferenças de medidas podem ser mais significativas em edifícios antigos, aumentando a importância das soluções sob medida.
Leia: Móveis inteligentes: a indústria 4.0 chega ao setor moveleiro moderno
Hotelaria também abre mercado
A requalificação de hotéis amplia essa oportunidade. Um exemplo é o Motto by Hilton Recife Antigo, inaugurado em fevereiro deste ano. Primeiro empreendimento da marca no Brasil, o hotel possui 134 apartamentos e utiliza mobiliário multifuncional nos quartos, incluindo beliches e sofás-camas.
A ESSANTO, indústria de móveis planejados do Grupo OFFICINA, participa do retrofit com a produção de mobiliário para diferentes tipologias de apartamentos. O projeto exige conciliar produção em escala com especificações próprias de cada ambiente.
Segundo Pereira, a oportunidade não está restrita a edifícios históricos. Hotéis e residenciais mais antigos também passam periodicamente por processos de modernização, criando uma demanda recorrente por renovação do mobiliário.
Um mercado que pode ir além do Recife
O potencial se estende a outros centros urbanos nordestinos, onde há estoques relevantes de edifícios antigos, hotéis e imóveis que podem ganhar novas funções.
Para a indústria de móveis, entretanto, esse mercado depende diretamente do avanço da requalificação imobiliária. Quanto mais incorporadoras, investidores, redes hoteleiras e governos recuperarem imóveis existentes, maior será a necessidade de projetos, fabricação e instalação de novos móveis.
Carregando categorias...

Comentários0
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.