Seu concorrente poderá ser seu próximo parceiro! É melhor acreditar
Lorandi destaca parceria entre Magazine Luiza e Mercado Livre, que são concorrentes, mas fazem vendas juntos
No Cá Entre Nós dessa semana, Ari Bruno Lorandi fala sobre a parceria entre Magazine Luiza e Mercado Livre, que teoricamente são concorrentes, mas se aliaram recentemente. “Você venderia seus produtos dentro da loja do seu maior concorrente? Provavelmente muita gente responderia: ‘Claro que não!’”, provoca o apresentador.
Lorandi alerta que para Mercado Livre e Magazine Luiza essa resposta está ficando velha, já que o Magalu colocou cerca de 27 mil produtos do próprio estoque dentro do famoso marketplace. Entre esses produtos estão móveis e eletrodomésticos e as entregas serão feitas pela Magalog, empresa de logística do próprio Magazine Luiza.
“Pense um pouco nessa operação. O Mercado Livre coloca a audiência. O Magalu coloca produto, estoque e parte da logística. E os dois, que continuam concorrentes, fazem negócio juntos. Não é amizade. É estratégia.
Durante muito tempo, o varejo foi construído sobre uma lógica bastante simples: eu preciso trazer o consumidor para a minha loja, para o meu site, vender o meu produto e, se possível, fazer a minha entrega.
Só que conquistar audiência ficou caro. Manter tecnologia ficou caro. Fazer logística ficou caro. E, principalmente, o consumidor está espalhado por todo lado.
O próprio Frederico Trajano reconhece que a audiência do comércio eletrônico brasileiro está cada vez mais pulverizada. A estratégia do Magalu, segundo ele, é justamente somar sua audiência à de outras plataformas para acelerar as vendas online com rentabilidade.
E não é só com o Mercado Livre. O Magazine Luiza já fez acordos com Amazon, AliExpress, Americanas, Itaú Shopping e Livelo. Ou seja: aquela ideia de construir uma fortaleza digital e tentar obrigar o consumidor a entrar por um único portão começa a perder força.
E tem algo particularmente interessante para quem trabalha com móveis. Transportar um celular é relativamente simples. Entregar um sofá, uma geladeira ou um guarda-roupa em escala nacional é outra história.
Por isso, Magalu e Mercado Livre já estudam ampliar a parceria utilizando lojas físicas como pontos de retirada e devolução e a estrutura logística do Magalu para produtos pesados acima de 30 quilos.
Veja como as coisas mudaram. A loja física, que alguns anos atrás diziam que perderia importância por causa do comércio eletrônico, pode virar também ponto logístico de uma plataforma concorrente.
O concorrente pode virar canal de vendas. E a estrutura criada para atender o próprio negócio pode virar serviço vendido para terceiros.
Talvez essa seja uma das grandes mudanças que estão acontecendo no varejo: as empresas começam a perceber que não precisam ganhar em todas as etapas da venda. Precisam descobrir em quais etapas são realmente boas.
Uma pode ter audiência. Outra, logística. Outra, estoque. Outra, tecnologia. Outra, relacionamento com o consumidor. E elas podem competir ferozmente em uma ponta e cooperar na outra.
Existe até um nome bonito para isso: coopetição. Eu prefiro chamar de bom senso empresarial. Porque, no final das contas, não importa tanto quem é dono de cada pedaço da operação. Importa saber se aquele pedaço gera resultado.
Então talvez esteja na hora de alguns empresários do nosso setor olharem para o concorrente de maneira um pouco diferente. Ele pode continuar sendo seu concorrente.
Mas isso não significa que não possa também ser seu fornecedor, seu operador logístico, seu canal de vendas ou até seu parceiro em determinado negócio”.
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Leia: China ainda é uma ameaça. Mas agora virou escola para os moveleiros
NOTÍCIAS
Produção de móveis perde força em julho
A indústria brasileira de móveis ainda não conseguiu firmar uma trajetória de recuperação em 2026. Depois de começar o ano com quedas fortes e reagir em março, quando a produção cresceu 10,4% sobre março de 2025, o desempenho voltou a oscilar. Abril caiu 1,1%, maio 3,9%, junho ficou estável e julho recuou 6,6% na comparação anual. Com isso, a produção acumula queda de 2,3% de janeiro a julho, piorando em relação aos -1,5% registrados no fechamento do primeiro semestre. Na comparação com junho, já descontados os efeitos sazonais, julho também apresentou retração de 0,6%. E o indicador de 12 meses voltou a piorar, passando de -2,8% em junho para -3,2% em julho.
Em resumo: março deu a impressão de que a recuperação poderia ganhar força, mas isso não se confirmou. O setor chega aos sete meses produzindo menos que no mesmo período de 2025 e, principalmente, sem uma tendência consistente de retomada.
A indústria argentina de móveis acendeu um sinal de alerta
A FAIMA, entidade que representa a cadeia da madeira, está pressionando o governo diante da queda do consumo, dos custos elevados e, principalmente, do avanço dos produtos importados. A entidade reclama inclusive que móveis acabados chegam ao país em condições tarifárias mais favoráveis do que alguns insumos utilizados pelos fabricantes locais. Hoje, móveis provenientes de fora do Mercosul podem estar sujeitos a tarifas de referência de 18%, enquanto produtos brasileiros podem se beneficiar das preferências comerciais do bloco quando atendem às regras de origem. A pressão da indústria argentina, portanto, merece atenção. Se resultar em novas barreiras ou medidas de proteção ao mercado local, poderá afetar justamente o momento em que fabricantes brasileiros voltam a olhar a Argentina como uma oportunidade de expansão.
A pressão dos móveis importados não preocupa apenas a indústria argentina
Na Alemanha, cerca de 60% dos móveis vendidos no primeiro semestre vieram do exterior – em 2019 eram 44%. China e Polônia respondem juntas por 60% dessas importações. Mesmo com as compras externas recuando 4,3% neste ano, a associação alemã da indústria moveleira considera elevada a pressão sobre os fabricantes locais. E foi além: seu diretor, Jan Kurth, defendeu que a União Europeia discuta a adoção de tarifas gerais de proteção, especialmente diante da presença chinesa. É mais um sinal de um movimento que merece atenção da indústria brasileira: enquanto fabricantes procuram ampliar mercados externos, cresce também a pressão protecionista de indústrias locais.
E veja como Argentina + Alemanha funcionam muito bem juntas no programa. Não são situações idênticas, mas apontam para uma mesma inquietação: quando o mercado interno enfraquece, o móvel importado rapidamente deixa de ser apenas concorrente e passa a virar questão política.
Clique no player acima para assistir ao 10 Minutos com Ari Bruno Lorandi na íntegra.
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