Varejo de móveis é uma ciranda: alguns avançam, outros perdem fôlego

Desempenho em 12 meses até abril revela mercado heterogêneo, com diferenças regionais e desafios ao consumo

Varejo de móveis é uma ciranda: alguns avançam, outros perdem fôlego

O comércio varejista de móveis continua enfrentando um cenário de recuperação desigual no Brasil. Dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE) mostram que o volume de vendas do setor acumulou queda de 4,6% nos 12 meses encerrados em abril de 2026, refletindo os efeitos dos juros elevados, do crédito mais restrito e da cautela do consumidor na compra de bens duráveis.

Apesar do resultado nacional negativo, o comportamento regional revela um mercado bastante heterogêneo, com alguns estados apresentando crescimento expressivo, enquanto outros seguem enfrentando retrações significativas.

Centro-Oeste lidera crescimento

A melhor performance do país foi registrada em Goiás, onde as vendas de móveis cresceram 11,6% em volume nos últimos 12 meses. O Distrito Federal também apresentou recuperação consistente, reduzindo perdas e encerrando o período praticamente estável, com retração de apenas 1%.

O desempenho da região sugere um ambiente de consumo mais resiliente, favorecido pela evolução da renda e pela estabilidade do mercado de trabalho. Veja infográfico:

Maiores altas do Brasil (volume de vendas em 12 meses)
Goiás: +11,6%
Espírito Santo: +12,6%
Pernambuco: +0,6%
Rio de Janeiro: +0,6%

Espírito Santo é o destaque nacional

Entre todos os estados pesquisados, o Espírito Santo registrou o melhor desempenho do varejo de móveis. As vendas avançaram 12,6% em volume e 16,4% em receita nominal acumulada em 12 meses.

O resultado contrasta fortemente com o cenário observado em grande parte do Sudeste e reforça a posição do estado como uma das exceções positivas do mercado brasileiro em 2026.

Minas Gerais e São Paulo continuam pressionados

O maior sinal de alerta permanece concentrado no Sudeste. Minas Gerais acumulou retração de 20,5% no volume de vendas, enquanto São Paulo registrou queda de 16,7%.

Como os dois estados concentram parte relevante do consumo nacional de móveis, seus resultados ajudam a explicar o desempenho negativo do indicador brasileiro.

Sul enfrenta recuperação mais lenta

A Região Sul também segue pressionada. O Rio Grande do Sul apresentou queda de 14,4% no volume vendido, enquanto Santa Catarina recuou 9,3%.

O Paraná foi o estado com melhor resultado da região, praticamente estável, com retração de apenas 0,6%. No infográfico as principais quedas no País:

Maiores quedas do Brasil (volume de vendas em 12 meses)
Minas Gerais: -20,5%
São Paulo: -16,7%
Rio Grande do Sul: -14,4%
Santa Catarina: -9,3%

Nordeste mostra sinais mistos

No Nordeste, os resultados foram bastante variados. Pernambuco foi o único estado a registrar crescimento no acumulado de 12 meses (+0,6%), enquanto Ceará (-0,8%) e Bahia (-0,4%) ficaram próximos da estabilidade.

Embora os números não indiquem uma expansão robusta, mostram um comportamento mais favorável do que o observado em parte do Sul e Sudeste.

Leia: Produção de móveis reduz perdas, mas recuperação é desigual entre polos

Mercado segue em busca de tração

Os números de abril reforçam uma percepção já observada ao longo dos últimos meses: a recuperação do varejo de móveis continua ocorrendo de forma lenta e desigual.

Enquanto alguns mercados regionais começam a reagir, boa parte dos estados ainda enfrenta dificuldades para recuperar o volume perdido nos últimos anos. A evolução dos juros, das condições de crédito e da renda das famílias continuará sendo determinante para o desempenho do setor no restante de 2026.

Veja no infográfico abaixo o desempenho das 14 regiões pesquisadas mensalmente pelo IBGE nos últimos 12 meses:

Crescimento acima de 5%
Goiás
Espírito Santo

Entre estabilidade e crescimento de até 5%
Pernambuco
Rio de Janeiro
Bahia
Ceará
Paraná
Distrito Federal

Queda acima de 5%
Minas Gerais
São Paulo
Santa Catarina
Rio Grande do Sul

 

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