Varejo de móveis recua 2,4% no ano e expõe fortes diferenças regionais

Pernambuco e Goiás crescem dois dígitos, enquanto Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul acumulam perdas

Varejo de móveis recua 2,4% no ano e expõe fortes diferenças regionais

O comércio varejista de móveis brasileiro encerrou os oito primeiros meses de 2026 com queda de 2,4% no volume de vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, mostram que o setor continua enfrentando dificuldades para recuperar o consumo, apesar de alguns sinais de melhora ao longo do ano.

Em agosto, as vendas recuaram 1,6% na comparação com o mesmo mês de 2025. Já o indicador acumulado em 12 meses ficou negativo em 2,8%, confirmando que a retração não se limita aos resultados mais recentes.

Entretanto, a análise regional revela um mercado bastante desigual. Enquanto alguns estados apresentam crescimento consistente, outros registram perdas expressivas, com diferenças superiores a 40 pontos percentuais no desempenho acumulado do ano.

Recuperação ainda não se sustenta

O comércio de móveis começou 2026 em situação desfavorável. Em janeiro, o volume vendido caiu 2,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Fevereiro aprofundou a retração, com queda de 9,4%, o pior resultado mensal do período analisado.

A partir de março, as perdas diminuíram, mas o setor continuou apresentando resultados negativos na maioria dos meses. A única exceção foi junho, quando as vendas cresceram 2,7% em relação a junho de 2025.

O resultado positivo, entretanto, não se sustentou. Julho voltou a registrar queda de 3,2%, seguido por recuo de 1,6% em agosto.

No acumulado do ano, houve uma melhora gradual. Depois de chegar a uma retração de 5,9% em fevereiro, o indicador alcançou -2,4% em junho e permaneceu nesse patamar até agosto.

Também houve recuperação no indicador de 12 meses, que passou de -5,1% em fevereiro para -2,8% em agosto. Isso significa que o ritmo de queda diminuiu, mas ainda não há crescimento consolidado do mercado nacional.

Nordeste mostra realidades diferentes

Entre os estados nordestinos pesquisados, Pernambuco apresenta o desempenho mais expressivo. O volume de vendas de móveis cresceu 14,8% entre janeiro e agosto, com avanço de 20,8% somente em agosto, na comparação anual.

O resultado contrasta com a trajetória nacional e demonstra que o mercado pernambucano mantém um ritmo de expansão muito superior à média brasileira.

O Ceará apresenta uma situação de relativa estabilidade. O crescimento de 3,9% em agosto permitiu que o acumulado do ano passasse para o campo positivo, com alta de 0,2%. Em 12 meses, entretanto, o resultado permanece ligeiramente negativo, em 0,4%.

Na Bahia, as vendas cresceram apenas 0,2% em agosto, enquanto o acumulado do ano registra queda de 0,9%. O indicador de 12 meses também permanece negativo, em 0,6%.

Portanto, mesmo dentro de uma única região, as condições de mercado são bastante distintas.

Sudeste concentra alguns dos resultados mais preocupantes

Minas Gerais apresenta o pior desempenho entre as unidades da Federação incluídas no levantamento. De janeiro a agosto, o volume de vendas de móveis caiu 27,1%. Embora agosto tenha mostrado uma retração menor, de 11,2%, o resultado acumulado em 12 meses permanece negativo em 25%.

São Paulo, principal mercado consumidor do país, também enfrenta dificuldades. O estado acumula queda de 7,5% no ano e de 9,6% em 12 meses. Em agosto, as vendas ficaram praticamente estáveis, com recuo de 0,3% em relação ao mesmo mês de 2025.

O Rio de Janeiro apresentou queda de 19,6% em agosto, o pior resultado mensal entre os estados pesquisados. Com isso, passou a acumular retração de 3,3% no ano e de 1,7% em 12 meses.

O Espírito Santo, por outro lado, contraria a tendência predominante no Sudeste. As vendas cresceram 8,4% entre janeiro e agosto, com avanço de 6,5% no último mês. O indicador de 12 meses também é positivo, em 9,7%.

Essa diferença reforça a necessidade de evitar generalizações sobre o desempenho regional do varejo moveleiro.

Sul continua pressionado

Os três estados do Sul apresentam situações diferentes, mas o conjunto revela dificuldades importantes.

Santa Catarina acumula queda de 12,4% no volume de vendas entre janeiro e agosto, a segunda maior retração entre os estados analisados. Em 12 meses, a redução chega a 10,6%.

No Rio Grande do Sul, o comércio de móveis apresenta queda de 9,8% no ano e de 9,2% em 12 meses. Agosto registrou retração de 7,7%, indicando que o mercado ainda não conseguiu recuperar o ritmo de vendas.

O Paraná apresenta resultado mais favorável no acumulado, com crescimento de 1,2% até agosto. Entretanto, o desempenho recente merece atenção: depois de avançar 8,5% em junho, as vendas recuaram 6,3% em julho e 15,5% em agosto.

A forte queda no último mês reduziu significativamente o crescimento acumulado do estado, que havia chegado a 6,5% em junho.

Goiás e Distrito Federal mantêm crescimento

No Centro-Oeste pesquisado, os resultados são positivos.

Goiás acumula expansão de 13,2% entre janeiro e agosto, com crescimento de 15,4% em 12 meses. O desempenho mensal foi especialmente forte em junho, quando as vendas avançaram 28,1% em relação ao mesmo mês de 2025.

O Distrito Federal também apresenta resultados favoráveis, com crescimento de 12,8% no ano e de 7,5% em 12 meses. Em agosto, a expansão foi de 4,2%.

A trajetória dos dois mercados demonstra que a retração nacional não se manifesta de maneira uniforme e que há espaços de crescimento mesmo em um ambiente econômico desafiador.

Leia: Custos sobem e importações pressionam a indústria de colchões

O desafio de recuperar o consumo

O desempenho do comércio de móveis precisa ser observado considerando as características do setor. Diferentemente de produtos de consumo recorrente, a compra de móveis costuma envolver planejamento, valores mais elevados e, frequentemente, financiamento ou parcelamento.

Nesse contexto, juros altos, crédito caro e insegurança em relação à renda podem levar consumidores a adiar decisões de compra.

Os dados da PMC não permitem determinar quanto cada fator contribuiu para os resultados, mas ajudam a dimensionar a dificuldade de recuperação do mercado.

Para a indústria moveleira, o cenário também exige atenção. A retração do varejo pode reduzir a reposição de estoques, pressionar os pedidos às fábricas e ampliar a necessidade de planejamento comercial.

Ao mesmo tempo, os resultados regionais mostram que estratégias uniformes para todo o país podem não refletir as condições reais de cada mercado.

A principal conclusão dos oito primeiros meses de 2026 é que o varejo brasileiro de móveis conseguiu reduzir o ritmo das perdas, mas ainda não recuperou o crescimento. E, enquanto alguns estados avançam de maneira expressiva, outros continuam enfrentando uma retração profunda.

O mercado nacional ainda está no vermelho. Mas os números regionais mostram que não existe uma única realidade para o comércio de móveis no Brasil.

 

Comentários0

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.

    Carregando categorias...

    Varejo de móveis recua 2,4% no ano e expõe fortes diferenças regionais | Móveis de Valor