Varejo de móveis recua 2,7% em julho e segue negativo no ano
Volume de vendas cai 2,4% até julho, receita nominal fica praticamente estável e diferenças estaduais seguem expressivas

O varejo brasileiro de móveis voltou a apresentar resultado negativo em julho. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, o volume de vendas caiu 2,7% em relação a julho de 2025, enquanto a receita nominal recuou 0,7%.
O resultado interrompe a melhora observada em junho, quando o volume havia crescido 2,7% e a receita avançado 5,4%. Mais do que uma oscilação mensal, porém, julho mantém o setor em terreno negativo nos principais recortes analisados.
Ano acumula queda de 2,4%
Entre janeiro e julho, o volume de vendas de móveis recuou 2,4% em comparação com o mesmo período de 2025. A receita nominal, por outro lado, ficou praticamente estável, com queda de apenas 0,1%.
Essa diferença é relevante. Enquanto a quantidade comercializada permanece abaixo do ano passado, o faturamento nominal apresenta desempenho muito melhor, refletindo também o efeito dos preços sobre as vendas.
A trajetória ao longo do ano foi irregular. O volume caiu 2,7% em janeiro e 9,4% em fevereiro, praticamente estabilizou em março (-0,2%), voltou a recuar em abril (-3,4%) e maio (-1,4%), cresceu 2,7% em junho e caiu novamente 2,7% em julho.
Em 12 meses, queda chega a 3,4%
O recorte dos últimos 12 meses reforça a dificuldade do varejo em recuperar volume. Até julho, as vendas de móveis acumulam retração de 3,4% em volume, enquanto a receita nominal apresenta queda de 0,7%.
Apesar de ainda negativo, o indicador mostra alguma melhora. Em janeiro, a retração acumulada em 12 meses era de 4,5% em volume; em fevereiro chegou a 5,1%. Desde então, a perda vem diminuindo e alcançou 3,4% em julho.
Portanto, ainda não há recuperação, mas existe uma redução gradual da intensidade da queda nesse recorte.

Estados mostram realidades completamente diferentes
A média nacional, porém, esconde diferenças muito grandes. No acumulado de janeiro a julho, Goiás lidera entre os estados pesquisados, com crescimento de 15,9% no volume de vendas, seguido por Pernambuco e Distrito Federal, ambos com avanço de 14%.
Espírito Santo cresce 8,7% e Paraná, 4,3%. Na outra ponta está Minas Gerais, com retração de 29,1% no volume comercializado. Santa Catarina cai 13,7%, Rio Grande do Sul recua 10,1% e São Paulo apresenta queda de 8,5%.
O resultado paulista merece atenção pelo peso do estado no mercado brasileiro. Em julho, o volume vendido em São Paulo caiu mais 3,3% frente ao mesmo mês de 2025.
Pernambuco e Goiás aceleram em julho
Entre os destaques positivos do mês, Pernambuco apresentou crescimento de 22,8% em volume sobre julho do ano passado. Goiás avançou 17,5% e o Distrito Federal, 11,5%.
Em sentido contrário, Minas Gerais voltou a registrar forte retração, de 20,6%. Rio Grande do Sul caiu 11,2%, Santa Catarina 9,1% e Rio de Janeiro 8,9%.
Essa dispersão ajuda a explicar por que uma leitura apenas do resultado nacional é insuficiente para compreender o momento do varejo moveleiro.
Leia:Quando a indústria e o varejo vão decidir melhorar para vender mais?
Goiás também lidera em 12 meses
O desempenho regional permanece bastante desigual quando o horizonte é ampliado.
Nos 12 meses encerrados em julho, Goiás acumula crescimento de 16,8% em volume, Espírito Santo avança 10,5%, Distrito Federal cresce 6,3%, Paraná 4,5% e Pernambuco 4,3%.
Já Minas Gerais apresenta queda de 26,2%, seguida por São Paulo (-12,5%), Santa Catarina (-11,5%) e Rio Grande do Sul (-10,1%).
Há, portanto, mercados regionais em franca expansão convivendo com outros que ainda enfrentam retrações de dois dígitos.
Recuperação continua desigual
Os dados até julho mostram um varejo de móveis que ainda não conseguiu transformar sinais pontuais de melhora em recuperação consistente.
No Brasil, o volume cai 2,7% em julho, 2,4% no acumulado do ano e 3,4% em 12 meses. Ao mesmo tempo, a receita nominal está muito mais próxima da estabilidade – recua 0,1% no ano –, evidenciando a distância entre faturar mais e efetivamente vender mais produtos.
Regionalmente, o contraste é ainda maior: enquanto Goiás cresce 15,9% no ano, Minas Gerais recua 29,1%.
Mais do que um varejo nacional caminhando numa única direção, os números mostram um mercado de móveis operando em velocidades muito diferentes dependendo de onde se olha.
(Fonte: IBGE – Pesquisa Mensal de Comércio (PMC))
Carregando categorias...

Comentários0
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro.