Varejo registra pior agosto desde 2020, enquanto e-commerce avança

Índice de agosto da Cielo mostra queda real de 2% no setor, enquanto e-commerce avança e consumidor fica mais seletivo

Varejo registra pior agosto desde 2020, enquanto e-commerce avança

O varejo brasileiro aprofundou a retração em agosto. O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) registrou queda real de 2% na comparação com o mesmo mês de 2025, completando 15 meses consecutivos de recuo. O resultado foi o pior para um mês de agosto desde 2020 e ficou abaixo da queda de 1,4% registrada em julho e do recuo de 1,5% observado em agosto do ano passado.

Apesar do desempenho negativo do setor, os canais de venda apresentaram comportamentos distintos. O e-commerce avançou 5,1% nominalmente em agosto, enquanto o varejo físico cresceu 1,2%. A diferença entre os dois canais chegou a 3,9 pontos percentuais.

O movimento reforça a percepção de um consumidor mais seletivo, que distribui os gastos de maneira diferente e busca melhores condições antes de concluir uma compra. No ambiente digital, a possibilidade de comparar preços e a conveniência estão entre os fatores que favorecem esse comportamento.

“Agosto reforça um cenário em que o consumidor não necessariamente deixa de comprar, mas escolhe com mais cuidado onde, como e com o que gastar”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.

Retração atinge os principais setores

A queda foi disseminada entre os três macrossetores acompanhados pelo ICVA. Bens Duráveis e Semiduráveis apresentaram o maior recuo real, de 4,6%. Vestuário, artigos esportivos e materiais para construção contribuíram negativamente para o resultado.

Em Serviços, o faturamento caiu 3,7% em termos reais, apesar do crescimento nominal de 4,4%. Alimentação fora de casa e autopeças pressionaram o desempenho do segmento.

Já Bens Não Duráveis ficou próximo da estabilidade, com retração real de 0,4%. Drogarias e farmácias tiveram desempenho positivo, enquanto supermercados e hipermercados registraram queda.

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Norte tem melhor desempenho regional

A retração também ocorreu de forma desigual entre as regiões brasileiras. O Norte apresentou o melhor desempenho relativo, com estabilidade de 0%. Na sequência aparecem Sul, com queda de 1,1%, Nordeste, com recuo de 1,9%, e Sudeste, que registrou retração de 2,9%.

O Centro-Oeste teve o pior resultado entre as cinco regiões, com queda de 3,7%.

Entre os estados, os destaques positivos em termos reais foram Amapá (+4,6%), Acre (+3,4%), Minas Gerais (+0,4%), Santa Catarina (+0,4%) e Sergipe (+0,3%).

Na outra ponta, as maiores quedas foram registradas em Pernambuco (-4,9%), Rio Grande do Norte (-4,2%), Goiás (-4,1%), Mato Grosso (-3,8%) e São Paulo (-3,5%).

Os dados mostram um cenário de maior cautela no consumo, com diferenças importantes entre categorias, regiões e canais de venda. Para o varejo, acompanhar essas mudanças se torna cada vez mais importante para entender onde o consumidor está concentrando seus gastos e quais fatores influenciam a decisão de compra.

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